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“Está difícil dormir com frio e sem comer”: como sequela da pandemia, a fome

5 de junho de 2022

A doméstica Mara Santos Carvalho desenvolveu o ofício até descobrir ser portadora de diabetes e pressão alta, em 2020, pouco depois da pandemia de covid-19 começar a ganhar força no Brasil. O marido, “seu Godoy”, tem uma pequena auto elétrica, mas desde o início da pandemia, vê a demanda diminuir cada vez mais. Ele também enfrenta problemas de saúde e trata uma tireoide. O casal tem cinco filhos e apenas a mais velha trabalha. Os demais, menores de idade, dependem financeiramente dos pais. A pandemia, no entanto, trouxe uma realidade bem diferente da que estavam acostumados e o alimento passou a faltar na mesa da família. 

“Nunca tinha passado por uma situação assim. É muito triste”, lamenta Mara, com os olhos lacrimejados, enquanto segura a pequena Milena, de apenas dez meses. “Falta leite pra ela. É muito triste ver um filho pedindo e não poder dar”, disse. Na casa de madeira e sem forro, um fogão campeiro, além de cozer os alimentos, aquece a família, já que os poucos cobertores que têm não são suficientes para proteger a todos do rigor do inverno. “Está muito difícil dormir com frio e sem comer”, disse Mara. 

A família recebe auxílio através do Cadastro Único, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e cestas básicas. O benefício é pago ao marido, que precisou fazer um empréstimo para suprir as necessidades da família, por isso, o valor é reduzido. As cestas básicas são retiradas mês sim, outro não, em razão do recebimento do outro benefício. O bolsa família auxiliava, mas foi cortado há três meses. “Aí cancelaram meu bolsa família. Fui lá, fiz outro cadastro, mas não adiantou nada. Sempre aparece que é para ir no dia 25, e nunca tem nada nesse dia. O cartão está bloqueado”, disse Mara. 

Mesmo com recursos escassos, antes da pandemia, a família conseguia suprir as necessidades básicas dos filhos. “Desde que começou essa pandemia, tudo ficou mais difícil. Eu não consigo mais trabalhar, por causa da doença, meu marido também está doente e consegue cada vez menos serviço na auto elétrica. Nunca tinha enfrentado essa situação, de não ter comida, cobertores”, lamenta Mara. A água da família foi cortada por falta de pagamento e os vizinhos auxiliam no fornecimento de recipientes cheios. Também foram os vizinhos que doaram algumas roupas para a filha menor, de dez meses. 

“Quem puder nos ajudar, pode ser com qualquer coisa, seja alimentos ou cobertores”, pede a mãe. As roupas podem ser doadas no masculino, tamanho G ou GG e tamanho dez e femininas tamanho 35, oito e um. Quem quiser doar, pode entrar em contato com a Rádio Progresso ou direto com a dona Mara, através do telefone (55) 99152 3297.

Fonte: Rádio Progresso
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