Busca rápidaX

Válvula causou acidente com barril de chope que matou empresário de Ijuí, afirma perícia

30 de maio de 2022

O acidente que causou a morte do ijuiense Gilson Nascimento, no dia do seu aniversário de 43 anos, enquanto manejava um barril de chope em sua festa, foi causado por uma deficiência de manutenção da válvula que regula a passagem do gás até o barril. A conclusão é da Divisão de Engenharia Legal do Departamento de Criminalística do IGP. Para chegar ao resultado, os  peritos realizaram inúmeros testes, em empresas privadas e Universidades, com o objetivo de entender a dinâmica dos fatos.

A morte aconteceu em 17 de setembro de 2021, em Campo Bom, no Vale dos Sinos. A vítima estava manipulando a válvula extratora do barril quando este explodiu, rompendo o fundo e projetando o corpo dois metros adiante. A perícia iniciou dias depois no local onde o equipamento havia sido instalado, na casa da vítima. A observação dos vestígios de dispersão de chope no teto e das marcas deixadas pelo arraste no chão permitiram concluir que o barril estava posicionado no gazebo, distante 15 metros do quiosque onde foi instalado inicialmente pela empresa fornecedora da bebida.

Os peritos também visitaram a empresa que comercializou o barril, de 30 litros, fabricado em aço inoxidável. Nela, encontraram barris com uma espécie de entalhe no fundo, que funcionaria como uma válvula de alívio, o que não existia no barril periciado. O barril também foi testado no Lamef – Laboratório de Metalurgia Física da Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Amostras das paredes e soldas da estrutura foram recortadas e examinadas em um microscópio eletrônico. Esse exame permitiu concluir que o barril rompeu ao atingir a pressão de projeto – ou seja, a pressão que o fabricante considera como limite para segurança- , que é de 48 bar (medida de pressão de fluidos). Aparelhos de ultrassom da empresa MKS Inspeções Não Destrutivas foram usados para medir a espessura das chapas de aço do barril e verificar se havia trincas, sem indicar alterações.

Quanto ao cilindro de gás carbônico (CO2), a perícia constatou que o cilindro apresentava pressão de 48 kgf/cm2, inferior aos 60 kgf/cm2 que os cilindros eram disponibilizados para os clientes, constatados durante a visita à empresa que comercializa o conjunto. Os testes foram realizados nas empresas Air Liquide e Oxinorte. A empresa fabricante do barril também forneceu à Polícia Civil um Laudo de ensaio do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo, que indicou o limite de pressão suportado pela peça. 

Problema na válvula- a válvula reguladora de pressão, ligada ao cilindro de gás carbônico que impulsiona a liberação da bebida do barril, passou por diferentes testes. O primeiro foi feito na empresa Oxinorte, de Canoas. A válvula foi testada nas condições em que foi recebida para perícia, porém em outro cilindro de CO2, com pressão de 48 bar. No teste, os peritos verificaram que a válvula, que deveria reduzir a pressão do cilindro do gás carbônico, não estava atuando como deveria. “Constatamos que a pressão do cilindro da empresa, com aproximadamente 48 kgf/cm², passava sem redução pela válvula, quando deveria reduzir a pressão de entrada no barril para aproximadamente 2 kgf/cm2”, afirma o perito criminal Carlos de Santis, autor do Laudo. Ao não reduzir a pressão do gás, a válvula provocou a explosão do barril. Além disso, as recomendações de segurança do fabricante, de manutenção da válvula com troca de peças a cada dois anos, não foram seguidas. A válvula foi fabricada em agosto de 2016, tinha garantia de cinco anos e estava fora de validade. 

Outro teste foi realizado no laboratório da Divisão de Balística do IGP. Os componentes da válvula foram visualizados em um microscópio usado para comparação de projetis, que aumentou a imagem em 80 vezes. Uma válvula reguladora de pressão nova, cedida por uma empresa, também foi submetida mesmo ao teste, para efeito de comparação. Foi possível constatar que havia desgaste nos componentes internos da válvula usada na casa da vítima. Também foram periciados outros elementos do conjunto, como a mangueira e a chopeira, sem encontrar problemas que possam ter causado o acidente. O sifão e seu tubo pescador ficaram deformados e amassados pelo impacto da ruptura do barril. O cilindro de gás carbônico estava em bom estado. A análise das imagens da câmera de monitoramento da casa foi feita pela Seção de Informática Forense e apontou que não havia imagens gravadas do momento. 

O CASO

Gilson do Nascimento, de 43 anos, morreu após a explosão de um barril de chopp. O acidente ocorreu no último dia 17, em Campo Bom.

Gilson era natural de Ijuí, e havia se mudado para Campo Bom em 2015. Em 2017 ele empreendeu e montou uma empresa de funilaria na cidade de Novo Hamburgo. Ele era casado, tinha um filho e possui familiares que ainda moram em sua cidade natal, como irmã e sobrinha.

Ele era empresário e dono de uma serralheria. De acordo com a sobrinha de Gilson, que não quis se identificar, o equipamento alugado apresentou problemas, e a bebida não estava saindo. Gilson foi enterrado em Novo Hamburgo.

error: Conteúdo protegido!