O aumento de crimes cometidos de maneira parecida e com a mesma finalidade, em determinada época do ano, pode ser explicada por uma série de fatores, como oferta e demanda. O número de furtos de fios de cobre, hidrômetros e partes de aparelhos de ar condicionado, por exemplo, tem aumentado significativamente nos últimos dias, em Ijuí. A crescente é acompanhada pela investigação da polícia civil, que identificou aumento desde julho de 2022, com intensificação nesta semana, com seis registros, de acordo com o delegado Maurício Posselt.
Em entrevista à Rádio Progresso, Posselt explicou que um dos fatores preponderantes para a incidência do delito é a existência dos compradores/receptadores. “Estamos atuando na investigação e identificação dos criminosos e, muito fortemente, na identificação dos receptadores, ou seja, aquelas pessoas que compram. É importante frisar que os receptadores cometem crime tanto quanto os que praticaram os furtos”, disse.
O delegado reitera que é possível identificar se determinado produto ofertado à venda é objeto de furto ou não. “Quem compra sabe. Se um cano de ar condicionado, por exemplo, é oferecido para venda sem uma embalagem, solto, a pessoa tem que desconfiar. A peça nova é embalada. O mesmo serve para os fios”.
Poucos sabem, mas adquirir uma coisa de origem duvidosa pode te render um processo criminal e até uma prisão. A receptação pode ser dolosa, se a pessoa adquire, recebe, transporta ou oculta coisa proveniente de crime sabendo dessa origem criminosa, podendo ser também qualificada, se a pessoa o faz no exercício de atividade comercial ou industrial. Ainda, a receptação pode ser culposa, que ocorre quando o sujeito, embora não saiba da origem criminosa do bem, devesse saber pela desproporção entre o valor e o preço da coisa (p. ex. algo é anunciado por um preço muito divergente do preço de mercado) ou pela natureza de quem oferece a coisa (p. ex. um ladrão conhecido oferece a coisa).
Para Posselt, usuários de entorpecentes podem estar entre os autores dos furtos, já que conseguem comercializar os objetos subtraídos, por valores baixos. “São destemidos, agem no centro da cidade e em locais com câmeras de videomonitoramento. É importante esclarecer que são vários modus operandi (maneira de agir), dependendo da pessoa. Já identificamos vários responsáveis”, disse.
RELEMBRE ALGUNS CASOS