Sobrevivente do incêndio na boate Kiss, tragédia que matou 242 pessoas e feriu 636 outras em Santa Maria no dia 27 de Janeiro de 2013, o ijuiense Emílio Bernich, falou recentemente à reportagem da Rádio Progresso sobre o resultado do julgamento dos quatro réus, ou seja, os sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, o vocalista da Banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos, e o produtor musical Luciano Bonilha Leão. Elissandro foi condenado a 22 anos e 6 meses de reclusão, Mauro a 19 anos e 6 meses, Marcelo e Leandro 18 anos cada. Apesar de saber da responsabilidade de cada um dos quatro condenados, Emílio diz que o sentimento é de inconformidade e injustiça. Na visão do sobrevivente, muita coisa passou batido nessa história e outras pessoas deveriam ter sido julgadas também. “Foi uma conta muito alta paga por poucos” avalia.
Na noite da tragédia, Bernich, que na época cursava agronômia na Universidade Federal de Santa Maria, frequentava a boate pela segunda vez e só conseguiu sair a tempo porque pouco antes havia ido ao banheiro localizado próximo a saída. Segundo ele, tudo aconteceu muito rápido. O ijuiense relata que no momento da saída já não enxergava mais nada, “estava tudo escuro” e que ao sair já estava com muita dificuldade para respirar. Quando ao lado de fora, Emílio conta que caiu a ficha do que estava acontecendo e aí foi tomado pelo abatimento e pesar: “percebi que de repente, do nada, meus amigos que estavam ao meu lado segundos antes, não estavam mais, estavam mortos” relata.
Os anos posteriores ao ocorrido não foram fáceis para o sobrevivente, que passou por um longo período sem ao menos conseguir dormir. Hoje, segundo ele, assim como outros sobreviventes da tragédia, procura levar a vida de forma normal, no entanto, com o julgamento das últimas semanas, toda a história foi relembrada. Ele comenta que muito do que aconteceu serviu de aprendizagem, na medida em que as fiscalizações se tornaram mais rígidas. Emílio terminou a entrevista frisando que, em sua visão particular, o produtor musical Luciano Bonilha Leão foi o mais injustiçado com a pena, mas ele afirma que respeita o sentimento e opinião de cada um. “A justiça foi feita, porém, de forma incompleta” finaliza.