O que era de se esperar em razão da estiagem começa a ocorrer nos municípios da região: a decretação de situações de emergência. Um dos casos é Capão do Cipó. Quarta-feira o prefeito, Osvaldo Froner, assinou o decreto. O prejuízo no município ultrapassa 170 milhões de reais. No entanto, o prefeito Froner enfatiza que o mencionado valor equivale a um milhão de sacas de soja, o que representa 18% da safra do ano passado.
Referente ao milho, a produção está toda perdida e a quebra no leite é de 30%. A soja também tem grande prejuízo em Capão do Cipó. Além disso, há falta de água para pessoas e animais, principalmente na área rural. A prefeitura de Capão do Cipó está com várias frentes de trabalho para atender a comunidade.
Quem também decretou situação de emergência foi Ibirubá. Ontem foi encaminhada documentação à Defesa Civil. Os prejuízos causados pela seca estão estimados em 98 milhões de reais. No caso de Cruz Alta, a prefeitura decretou situação de emergência nas áreas do município afetadas pela estiagem. Referente ao milho, nas áreas de sequeiro toda a cultura está perdida em Cruz Alta e onde há irrigação a quebra é de 80%.
O município de Crissiumal é outro a decretar emergência. A estimativa é que as perdas com a falta de chuva estejam em 40 milhões de reais, além de falta de água para animais e humanos em alguns pontos do interior. 60% do milho para grão está perdido em Crissiumal, ainda 50% do milho silagem, 20% de quebra no fumo, 20% na soja e 20% de redução na produção de leite.
O município de Tiradentes do Sul também emitiu decreto de situação de emergência devido à estiagem. A área rural de Tiradentes do Sul sofre muito com a falta de água. Caminhões pipa abastecem famílias, com cerca de 50 mil litros diariamente, e maquinários fazem abertura de bebedouros para animais.
No município de Jóia, o prefeito, Adriano Marangon de Lima, explica que na próxima semana vai assinar decreto de emergência. Agora, o esforço é comprovar os danos humanos, como falta de água e alimentos, para embasar o decreto.
Marangon disse que levantamento atualizado aponta prejuízo superior a 100 milhões de reais em Jóia devido à seca. Chama atenção, segundo o prefeito de Jóia, a grande falta de água na cidade, onde entre 150 e 200 famílias sofrem com o problema. A mesma situação é registrada no interior. Ontem, a prefeitura joiense começou levar água para famílias com caminhão pipa. Na área rural, em vários casos os maquinários abrem bebedouros, mas não encontram água para os animais.
O milho está totalmente perdido em Jóia. Alguns agricultores fazem silagem com o cereal, mas a produção resulta em pouca qualidade, pois as pequenas espigas praticamente não têm sementes. Inclusive, ontem o município de Jóia sediou reunião regional para debater os efeitos da falta de chuva.
A maior preocupação é com o desenvolvimento das lavouras de milho e soja e prejuízos também na produção de leite, segundo o gerente do escritório regional da Emater, com sede em Ijuí, Fábio Pasqualoto. No caso do milho, quase 100% dos mais de 83 mil hectares dos 44 municípios da regional da Emater já foram semeados e as plantas estão na fase de floração e formação de grãos. Nas lavouras onde os produtores não dispõem de sistemas de irrigação, as perdas são irreversíveis.
Se somar os prejuízos ocasionados pela seca dentre os 15 municípios que participaram do encontro, ontem, em Jóia, o montante ultrapassa um bilhão de reais. No município de Ijuí, na próxima terça-feira haverá novo encontro sobre estiagem. Até lá a prefeitura organiza documentos com possibilidade de decretar emergência. A estimativa é de prejuízo de aproximadamente 150 milhões de reais, visto a seca, em Ijuí.