O mandato coletivo “É as gurias” – o primeiro a ser eleito na Câmara de Vereadores de Ijuí – foi desfeito. O grupo que era composto por Tarcila Padilha, Luciana Bohrer, Etienne Raseira, Ana Carolina Monteiro e Bruna Gubiani, recebeu 1.022 votos. Bruna assumiu a condição de vereadora e as demais eram as co-vereadoras. No entanto, pelo mandato ser coletivo (PCdoB e PT), as decisões das ações seriam tomadas em conjunto, conforme acordo entre elas.
Em uma carta aberta publicada nesta quarta-feira, Etienne, disse que “bastou a eleição para que os ideias do grupo fossem engavetados por Bruna”. Ela acusa a vereadora de usurpar uma liderança que nunca existiu, pois vai à contramão da essência de um trabalho coletivo. “Deixou de ser uma parceira para ser uma líder arrogante e egocêntrica. Um alguém que demonstra menosprezo por mulheres, mães solteiras e trabalhadores de baixa hierarquia”, segundo ela.
Em contato com Tarcila Padilha, esta confirmou a decisão das quatro. Ana Carolina também se manifestou em suas redes sociais comunicando o seu desligamento do mandato. Já Luciana Bohrer, na manhã desta quinta-feira, em entrevista à RPI, afirmou que também houve divergência salarial. “Não foi cumprido o acordo que fizemos. O salário era dividido conforme as demandas e isso não ocorreu. Me sinto triste, porque todas receberam votos, mas nós quatro (Tarcila, Ana, Etienne e Luciana) vamos continuar com o trabalho junto à comunidade”, destacou. O áudio da entrevista está disponível no final da matéria.
Bruna foi contatada pela reportagem da Rádio Progresso que aguarda um posicionamento da vereadora.
Confira na íntegra a carta aberta publicada por Etienne Raseira:
“Eu, Etienne Raseira, filiada ao PCdoB e co-vereadora do Mandato Coletivo, carinhosamente apelidado pela população como “É as gurias”, de Ijuí, venho por meio desta carta comunicar meu desligamento do supracitado mandato.
Minha continuidade neste exercício legislativo se tornou insustentável.
Quando aceitei fazer parte do Coletivo, que ainda concorreria à vereança, a proposta não poderia ser melhor: cinco mulheres pensando e trazendo demandas da sociedade, para uma única cadeira. Mulheres de diferentes bairros, de experiências familiares e laborais divergentes. Mulheres capazes de ATENDER e ENTENDER as necessidades de outras mulheres ijuienses por passarem pelas mesmas situações.
Para minha grande surpresa, bastou a eleição para que os ideais fossem “engavetados” pela nossa CPF, Bruna. O primeiro a ser atingido foi o próprio Coletivo. Nossa CPF “usurpou” uma liderança que nunca existiu, isto porque, qualquer liderança vai à contramão da essência de um trabalho coletivo. Deixou de ser uma parceira e se tornou uma líder arrogante e egocêntrica, escrava da vaidade. Uma tirana, afogada na mediocridade.
Embora tenhamos feito inúmeras tentativas para resolver a questão, acabamos sendo ainda mais afastadas. Naturalmente, isso aconteceria uma hora ou outra, pois, tal como em um casamento, com o tempo conhecemos a natureza da Bruna: um alguém que demonstra menosprezo por mulheres; mães solteiras; por trabalhadores de “baixa hierarquia”; por professores… Alguém que busca não desagradar o poder executivo; angariar votos para uma provável candidatura posterior; que evita se envolver em questões avaliadas como “polêmicas”. Alguém que não passa de uma estrategista inexpressiva, uma lutadora ignava.
Nossa CPF sempre hesitou visitar bairros carentes (mesmo sendo nossa proposta principal); Me criticava por estar envolvida voluntariamente no Projeto Hortas de Ijuí (desenvolvido pela Raissa Schorn)”.