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Homem que enviou bombons envenenados para matar ex-namorada é condenado a 20 anos de prisão

27 de abril de 2023

O Tribunal do Júri de Gaurama condenou Rinaldo Magarinos Vernes, 43 anos, a 20 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado após matar Álvaro Antônio Duarte com bombons envenenados em 2014, no município de Viadutos, no norte do RS. A decisão foi publicada no dia 19 de abril e a defesa do réu informou que vai recorrer, porque entende que houve injustiça na aplicação da pena.

Segundo a acusação do Ministério Público, Vernes planejava matar sua ex-namorada, pois não aceitava o fim do relacionamento do casal, desde 2009. Para isso, ele injetou uma substância altamente tóxica em bombons de chocolate e enviou pelos Correios para a ex-companheira.

O pacote foi despachado com um nome de remetente falso em uma agência dos Correios de Erechim, e Fabrício Passarini, irmão da ex-companheira, fez a retirada em Viadutos. Ele abriu a caixa e comeu um dos bombons, além de ter oferecido o restante a colegas de trabalho, incluindo a vítima, Álvaro Duarte.

Após comer um dos doces, Duarte e Passarini começaram a passar mal e buscaram atendimento médico no Hospital de Viadutos. Enquanto Passarini teve alta, Duarte foi encaminhado ao Hospital de Caridade de Erechim, onde morreu por volta das 17 horas do dia 28 de agosto daquele ano.

Na época do fato, a destinatária da caixa de bombons, Cátia Passarini, informou à Polícia Civil que o ex-namorado mantinha comportamentos preocupantes desde o fim do relacionamento. A investigação obteve imagens de câmeras de segurança dos Correios, nas quais Cátia reconheceu o ex-companheiro postando a encomenda.

Rinaldo Magarinos Vernes foi preso no dia 29 de agosto de 2014 em Chapecó, Santa Catarina, onde morava. De acordo com a investigação, ele foi até Erechim só para despachar o pacote. Vernes permaneceu recluso até 2019, quando foi liberado por um habeas corpus para responder ao processo em liberdade.

Substância foi banida do país em 2017

O produto injetado nos doces, carbofurano-fenol, foi proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2017. A substância era usada como agrotóxico, principalmente em plantações de banana, café e cana-de-açúcar. O motivo do banimento foi justamente a alta toxicidade.

Conforme texto da Anvisa, o órgão “concluiu que o uso regular de Carbofurano resulta em níveis de resíduos em alimentos e, principalmente, na água, que representam risco dietético agudo à população brasileira”, com efeitos neurotóxicos, podendo até mesmo afetar bebês durante a fase de gestação.

Um relato de caso publicado na Revista Criminalística e Medicina Legal apontou que o carbofurano pode causar contrações musculares involuntárias que podem levar a um quadro de insuficiência respiratória aguda, convulsões, arritmias cardíacas e até à morte.

Fonte: GZH
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