Acusado de ter assassinado os quatro filhos em Alvorada, na Região Metropolitana, David da Silva Lemos, 28 anos, deverá passar por perícia psiquiátrica para avaliar sua sanidade mental. Segundo o Tribunal de Justiça (TJ-RS), o pedido foi feito pelo Ministério Público (MP).
Quatro meses após o crime, seis testemunhas foram ouvidas pela Justiça, em audiência realizada na última quinta-feira (27) no município da Grande Porto Alegre. Yasmin, 11 anos, Donavan, oito, Giovanna, seis, e Kimberlly, três, foram encontrados mortos dentro da casa do pai, em dezembro.
As seis testemunhas que falaram à Justiça nesta primeira audiência foram indicadas pelo Ministério Público, responsável pela acusação. Durante a manhã, foram ouvidas a avó paterna das crianças, que foi quem encontrou os corpos dos netos dentro da casa do filho.
cometido o crime, disse que não aceitava o término do relacionamento e que se sentia traído pela ex. Na fase judicial, o réu pode optar por permanecer em silêncio se desejar.
Durante a audiência de quinta-feira, o juiz Marcos Henrique Reichelt, da 1ª Vara Criminal de Alvorada, atendeu ao pedido do Ministério Público para que Lemos passe por perícia psiquiátrica. Segundo o promotor Marcelo Tubino, responsável pela acusação, a solicitação foi feita com intuito de sanar qualquer dúvida que possa pairar sobre o caso ainda na fase da instrução.
— Na cena do crime, houve apreensão de alguns remédios e, além disso, houve depoimentos no sentido de que ele teria sido internado no passado, mas não ficou claro o motivo, se por alguma moléstia ou em razão do consumo de drogas. De outro lado, temos um fato praticado com alguma estratégia, que envolve a fuga da cena do crime e, a possibilidade de algum planejamento. O que iria de encontro a alguma perturbação mental. Quem tem um surto não é tão organizado. Pela maneira como o crime foi praticado, as mensagens trocadas, não nos parece que ele tenha alguma perturbação. Mas é algo que um profissional vai poder dizer — esclarece o promotor sobre o pedido realizado.
Agora, Lemos deverá ser encaminhado para realização da perícia, que irá elaborar um laudo, apontando se o réu era ou não capaz de compreender os próprios atos na época do crime. Por se tratar de um preso provisório, o TJ nomeou um perito cadastrado para fazer a procedimento e, assim, abreviar o prazo para a sua conclusão. A data ainda não foi definida.
Somente depois disso, a Justiça deverá agendar nova audiência para dar seguimento às oitivas. Ao final dessa fase, a Justiça definirá se o preso deve ou não ser encaminhado a julgamento — nesse caso, no Tribunal do Júri — pelo assassinato das crianças.