Segundo o Ministério da Saúde, o câncer de pele representa cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país
Observar a própria pele é um passo fundamental para o diagnóstico precoce. Manchas novas, feridas que não cicatrizam, lesões que coçam, sangram, crescem ou mudam de cor e formato devem ser avaliadas por um profissional de saúde. Com o verão e as altas temperaturas, a exposição ao sol se intensifica e torna ainda mais importante a adoção de hábitos de proteção da pele.
O aumento do tempo ao ar livre, seja em atividades de lazer, trabalho ou prática esportiva, eleva os riscos associados à radiação solar e reforça a necessidade de cuidados contínuos para prevenir o câncer de pele — o tipo mais frequente no Brasil. Dados do Ministério da Saúde indicam que a doença representa cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país. A boa notícia é que, quando descoberta precocemente, a taxa de cura é superior a 90%.
De acordo com Ana Bianchi Tessari, médica oncologista do Hospital de Clínicas Ijuí (HCI), o câncer de pele é, em grande parte, prevenível. “Além de ser o mais comum no país, é uma doença que pode ser evitada com medidas simples de proteção. Quando diagnosticada precocemente, as chances de cura são muito altas e os tratamentos tendem a ser menos invasivos”, destaca.
Entre os principais tipos da doença estão o carcinoma basocelular e o carcinoma epidermoide, que costumam apresentar evolução lenta e baixo risco de metástase. Ainda assim, quando diagnosticados tardiamente, podem causar danos importantes, sobretudo em áreas sensíveis como rosto e orelhas. Já o melanoma é o tipo mais agressivo de câncer de pele e exige atenção imediata. “Os carcinomas mais comuns têm excelente prognóstico quando identificados no início, mas em estágios avançados podem provocar deformidades e comprometimentos locais significativos”, explica a oncologista.
Pessoas de pele clara apresentam maior risco de desenvolver câncer de pele, mas a doença também pode acometer pessoas de pele negra, especialmente em áreas menos expostas ao sol, como palmas das mãos, plantas dos pés e unhas. A médica alerta, ainda, para equívocos comuns: “É um mito achar que quem tem pele mais escura não precisa de proteção ou que o protetor solar só deve ser usado em dias ensolarados”.
O uso diário de protetor solar é indispensável, inclusive em dias nublados, já que a radiação ultravioleta está presente ao longo de todo o ano. Crianças a partir dos seis meses já podem utilizar protetor solar adequado para a idade; antes disso, a recomendação é priorizar roupas protetoras e evitar a exposição direta ao sol.
No verão, com índices de radiação mais elevados, esses cuidados devem ser ainda mais rigorosos. “É um período que exige atenção redobrada, mas a proteção da pele não deve se restringir a uma estação específica. Cuidar da pele todos os dias é uma atitude de prevenção e de cuidado com a saúde”, conclui a especialista.