O avanço da tecnologia, as transformações nas relações trabalhistas e a crescente atenção à saúde mental dos colaboradores estão redesenhando o ambiente corporativo no Brasil. Esse foi o tom das reflexões apresentadas pelo advogado Rodrigo Bernardi Rodrigues, especialista em Direito Empresarial, Trabalhista e LGPD, durante entrevista à Rádio Progresso, ao comentar os principais insights do 10º Congresso de Relações do Trabalho, promovido pela Fecomércio-RS, em Torres, e debatidos também na 1ª edição do Café com Ideias do Sindilojas, que aconteceu na semana passada.
Segundo o especialista, o cenário atual exige uma mudança de postura por parte dos empresários, especialmente no que diz respeito à prevenção de conflitos trabalhistas. “O trabalho preventivo é essencial, porque o remédio acaba sendo muito mais caro. A Justiça do Trabalho tem sido mais ágil, e a empresa, muitas vezes, perde quando não está preparada”, destacou.
Rodrigo observa que o desafio vai além de simplesmente cumprir a legislação. Para ele, é fundamental que o empresário compreenda também como os julgadores têm interpretado as normas. “Hoje, muitas vezes a legislação aponta um caminho, mas as decisões judiciais seguem outro. É preciso entender tanto a lei quanto o entendimento da Justiça”, explicou, ressaltando que o crescimento da inteligência artificial e das automações torna ainda mais necessário que os processos internos estejam adequados às exigências legais.
Outro ponto de destaque abordado na entrevista foi a inclusão das doenças psicossociais na NR-1. De acordo com Rodrigo, embora o tema já fosse discutido no âmbito judicial, a novidade agora está na obrigatoriedade de as empresas criarem mecanismos internos para gerenciar esses riscos.
“A Justiça já cobrava isso, mas não exigia uma gestão estruturada. Agora, a NR-1 estabelece que a empresa precisa ter ferramentas para lidar com esses riscos, independentemente do seu tamanho, seja um negócio com dois funcionários ou uma empresa com centenas”, pontuou. A previsão é de que a fiscalização dessas medidas tenha início a partir de maio, caso não haja prorrogação por parte do governo federal. Apesar de gerar preocupação entre empresários, Rodrigo avalia a mudança como positiva. “Pode causar um certo medo no início, mas é importante porque torna a empresa mais humana”, afirmou.
Nesse contexto, ele defende que o fortalecimento do diálogo interno é um dos caminhos mais eficazes. “Falta conversa com os colaboradores. É preciso ouvir mais, investir em cursos, em capacitação. Muitas vezes há receio de qualificar o funcionário e perdê-lo, mas é justamente esse investimento que traz melhores resultados para a empresa”, destacou. Para o especialista, o momento exige equilíbrio: atender às demandas dos trabalhadores sem comprometer a sustentabilidade do negócio. E, para isso, a chave está na prevenção, na atualização constante e, sobretudo, na construção de relações de trabalho mais transparentes e humanas.