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Em entrevista à RPI, especialista avalia que mudança na escala 6×1 pode elevar custos e impactar empregos

20 de abril de 2026

Em entrevista à Rádio Progresso, o advogado Rodrigo Bernardi Rodrigues, especialista em Direito Empresarial, Trabalhista e LGPD, analisou os principais debates do 10º Congresso de Relações do Trabalho, promovido pela Fecomércio-RS, em Torres. Entre os temas discutidos, a possível revisão da escala de trabalho 6×1 ganhou destaque.

Segundo Rodrigues, a proposta de redução dessa jornada, que atualmente prevê seis dias de trabalho para um de descanso, precisa ser tratada com cautela. Embora reconheça a necessidade de avançar em pautas que beneficiem os trabalhadores, ele avalia que a forma como a mudança vem sendo discutida ainda carece de aprofundamento. “O empresariado entende que é preciso olhar com mais atenção para o bem-estar do funcionário, mas também precisa de tempo para compreender os impactos reais dessa alteração”, afirma.

De acordo com o especialista, uma das principais preocupações está relacionada ao aumento dos custos operacionais. A redução da jornada pode exigir a contratação de mais funcionários para manter o mesmo nível de produtividade, o que tende a elevar despesas, especialmente no setor do comércio. Rodrigues também chama atenção para a ausência de estudos mais detalhados sobre os efeitos práticos da medida. “Ainda não há uma análise específica sobre como isso impacta o custo final das empresas. Pode haver aumento de despesas e, eventualmente, reflexos no quadro de empregados, mas isso ainda é incerto”, pondera.

A Fecomércio-RS, inclusive, manifestou preocupação com a condução do debate, destacando, em nota, que não foi consultada previamente sobre a proposta, o que reforça a percepção de que o tema ainda precisa de maior diálogo entre os setores envolvidos. Outro ponto levantado pelo advogado é a produtividade. Ele observa que o Brasil já enfrenta desafios nesse aspecto e que mudanças estruturais na jornada de trabalho exigem planejamento para evitar impactos negativos. “Estamos entre os países com menor produtividade, e uma alteração desse porte precisa de um período de transição mais longo”, destaca.

Para Rodrigues, o debate sobre a escala 6×1 é legítimo e necessário, mas ainda prematuro. Ele defende que a discussão avance com base em dados concretos e diálogo entre governo, empresários e trabalhadores, buscando um equilíbrio que não comprometa a sustentabilidade das empresas nem os direitos dos profissionais. A avaliação reforça um cenário de incertezas, em que a modernização das relações de trabalho precisa caminhar lado a lado com responsabilidade econômica e planejamento estratégico.

 

Fonte: RPI
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