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Juiza alerta para avanço da violência doméstica em Ijuí com mais de 200 ocorrências em 2026 e 1.200 processos em andamento

23 de abril de 2026

A Juíza de Direito da 2ª Vara Criminal de Ijuí, Dra. Maria Luiza Pollo Gaspary, afirmou em entrevista à Rádio Progresso que a violência doméstica exige um enfrentamento diferente das demais formas de crime, com a implementação de políticas públicas específicas e estruturadas.

Segundo a magistrada, é fundamental a criação de um espaço adequado para diagnóstico da realidade local, permitindo identificar as principais demandas e lacunas no atendimento, especialmente ao público feminino. Nesse contexto, ela reforçou a necessidade da criação de uma Secretaria Municipal da Mulher em Ijuí, ou de um órgão com estrutura suficiente para coordenar essas ações.

Maria Luiza destacou que, embora já exista uma rede de proteção aos direitos da mulher e a Coordenadoria Municipal da Mulher, é necessário ampliar e fortalecer esse trabalho com a atuação conjunta dos poderes Executivo e Legislativo. Para ela, o enfrentamento precisa deixar de depender apenas do voluntariado, avançando para a profissionalização dos serviços, com políticas públicas efetivas e recursos adequados.

A juíza ressaltou ainda que o Poder Judiciário não interfere na forma de organização desses serviços, mas enfatizou a importância de que os órgãos competentes atuem com orçamento compatível com a demanda crescente.

Em relação aos números, a magistrada chamou atenção para o cenário preocupante: somente em 2026, já foram registrados mais de 210 boletins de ocorrência relacionados à violência doméstica na 2ª Vara Criminal de Ijuí, além de mais de 1.200 processos em tramitação. Em 2025, foram mais de 600 registros. Os dados indicam uma média superior a um caso por dia.

Ela avalia que o enfrentamento desse tipo de violência deve passar também pela educação e prevenção, já que se trata de um problema estrutural, muitas vezes reproduzido dentro das próprias relações familiares.

Por fim, Maria Luiza destacou as ações já desenvolvidas pelo Judiciário, como salas de espera com orientação aos réus, grupos reflexivos de gênero, onde homens participam de debates sobre diferentes formas de violência, e o trabalho integrado com a Coordenadoria da Mulher e o Ministério Público, especialmente nos casos que envolvem medidas protetivas.

Sobre feminicídios, a juíza lamentou que Ijuí também integra as estatísticas estaduais, com um caso confirmado no município. Em 2026, o Rio Grande do Sul já registra 28 casos desse tipo de crime.

Fonte: Rádio Progresso
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