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El Niño trará inverno mais quente e chuvoso ao Brasil

21 de junho de 2026
Imagem ilustrativa.

O inverno no Hemisfério Sul começou oficialmente às 5h24 deste domingo (21) e vai até 22 de setembro, mas apresentará um padrão atípico este ano devido à influência do El Niño. Confirmado pela Agência dos Estados Unidos para Oceanos e Atmosfera (Noaa), o fenômeno — que se caracteriza pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial — alterará o clima esperado para a estação, trazendo temperaturas mais elevadas e mudanças no regime de chuvas em grande parte do Brasil, com atenção especial voltada para o Rio Grande do Sul.

De acordo com meteorologistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da MetSul, o impacto do El Niño será sentido de forma intensa no território gaúcho. O estado terá um inverno com temperaturas médias acima do normal e menor frequência de geadas severas ou ondas de frio prolongadas. No entanto, o principal sinal de alerta está na precipitação: o fenômeno intensificará a passagem de frentes frias e sistemas de instabilidade pelo Sul, gerando volumes de chuva muito acima da média histórica e mantendo um risco elevado para cheias de rios e enchentes, especialmente na segunda metade da estação.

Nas demais regiões do país, os efeitos variam. No Sudeste e Centro-Oeste, o El Niño atuará como um bloqueio atmosférico que impedirá o avanço dessas frentes frias, resultando em um inverno mais quente e seco. Especialistas alertam que prever esses cenários com meses de antecedência tem se tornado um desafio cada vez maior por causa do aquecimento global. As mudanças climáticas alteram a dinâmica atmosférica e costumam estender a duração de extremos; no Rio Grande do Sul, por exemplo, cientistas já apontam que a temperatura média do estado subiu mais de 1,5°C nas últimas décadas, criando um “novo normal” que amplifica a força de eventos climáticos severos.

Toda essa variação se soma à própria geografia do país, já que a percepção da estação muda conforme a latitude. Enquanto o município de Chuí, no extremo sul do Rio Grande do Sul, experimenta a face mais tradicional do inverno, com dias curtos e menos de dez horas de luz solar, Macapá, no Amapá, por estar exatamente sobre a Linha do Equador, mantém a luminosidade diária constante de doze horas e passa pelo período sem grandes alterações térmicas ou estações bem definidas.

Fonte: RPI
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