Para minimizar os impactos causados por falhas transitórias nas redes, as distribuidoras de energia há muito tempo implantam sistemas de automação que permitem o acionamento automático do sistema após a eliminação da falha. Essas soluções vêm sendo aprimoradas com a evolução tecnológica dos equipamentos.
O principal equipamento utilizado atualmente é o religador automático de rede (foto principal). Instalados em pontos estratégicos dos alimentadores, esses equipamentos monitoram permanentemente as condições do sistema elétrico e podem interromper e restabelecer o fornecimento de forma automática quando identificam falhas transitórias. Quando o problema persiste, os religadores são capazes de isolar o trecho defeituoso, restringindo o desligamento apenas à área afetada e mantendo o fornecimento para o restante dos consumidores. Os religadores automáticos de rede são equipamentos com controle eletrônico e processamento digital das informações do sistema elétrico, que utilizam sensores e microprocessadores para identificar falhas com maior precisão e executar ações automáticas de proteção. Eles permitem monitoramento remoto e integração com sistemas de automação da rede.
Além de reduzir o número de interrupções e o tempo de restabelecimento da energia, os religadores automáticos aumentam a segurança e a confiabilidade da rede elétrica, contribuindo para a proteção dos equipamentos e das pessoas. Atualmente, a Ceriluz conta com 53 religadores automáticos distribuídos em toda a sua área de atuação, sendo esta uma das principais frentes de investimento da cooperativa na modernização do sistema elétrico.
Os primeiros equipamentos que faziam – e ainda fazem – essa função, contudo, eram mais simplificados. As primeiras a serem utilizadas foram as chaves fusíveis religadoras, baseadas em processos mecânicos, com operação automática limitada e sem nenhum recurso de monitoramento remoto. Hoje a Cooperativa ainda possui 22 dessas ferramentas distribuídas em sua área de ação. Depois vieram os religadores automáticos eletromecânicos, que utilizam componentes eletromagnéticos para detectar falhas e componentes mecânicos para realizar religamentos automáticos ao identificar sobrecorrentes. Estes possuem operação baseada em princípios mecânicos e elétricos, também com nenhuma digitalização ou possibilidade de supervisionamento à distância. Ainda há 57 instalados nas redes de distribuição de energia da Ceriluz.
“Diferentemente dos religadores automáticos, esses equipamentos mais antigos têm menor grau de automação e não permitem supervisão. Por isso, vêm sendo gradualmente substituídos ou remanejados para redes secundárias”, explica o engenheiro eletricista Rogério Kamphorst, responsável pelas redes de distribuição. Na prática, todos esses dispositivos evitam desligamentos desnecessários causados por ocorrências momentâneas, reduzindo a necessidade de deslocamento de equipes, especialmente em períodos de eventos climáticos.
Um exemplo comum é o contato temporário de galhos com a rede durante rajadas de vento. Em sistemas mais simples, a ocorrência exige deslocamento de equipe para religamento. Já com esses equipamentos, o circuito é interrompido momentaneamente e religado automaticamente. Se a falha desaparecer, o fornecimento é restabelecido em segundos. Situações semelhantes também podem ser causadas por ventos fortes, descargas atmosféricas ou outros eventos passageiros.