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Projeto coordenado pela Unijui busca tornar agricultura familiar mais sustentável e menos dependente de insumos químicos

21 de julho de 2026
Imagem ilustrativa gerada por IA

A agricultura familiar gaúcha será o foco de um projeto de pesquisa e inovação que pretende reduzir a dependência dos produtores em relação a insumos químicos e ampliar a sustentabilidade das propriedades rurais. Coordenada pela Unijuí, a iniciativa recebeu cerca de R$ 5 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e será desenvolvida ao longo dos próximos três anos em parceria com instituições de pesquisa, ensino e assistência técnica.

O projeto é resultado de uma articulação da Rede Leite, rede sociotécnica que reúne universidades, Emater, Embrapa e outras instituições do Rio Grande do Sul. A proposta vai atuar em quatro regionais da Emater e tem como principal objetivo acelerar a transição agroecológica na agricultura familiar. Segundo o coordenador do projeto, professor Osório Lucchese, a proposta está baseada em três pilares: implantação de sistemas agroflorestais com árvores nativas, produção e utilização de bioinsumos e aplicação da homeopatia na agricultura.

Na prática, a iniciativa busca oferecer alternativas para que os agricultores produzam mais utilizando menos fertilizantes químicos e defensivos agrícolas, reduzindo custos de produção e aumentando a autonomia das propriedades. “O objetivo é que o produtor dependa menos dos insumos externos, especialmente em momentos de instabilidade econômica, quando fertilizantes e defensivos têm grandes oscilações de preço”, explica o professor.

Os primeiros recursos, cerca de R$ 2,5 milhões, já começaram a ser aplicados na aquisição de equipamentos e na implantação da infraestrutura necessária para o desenvolvimento das pesquisas. Em Ijuí, a Universidade contará com um laboratório de microbiologia, um laboratório de homeopatia e uma Unidade Comunitária de Produção de Bioinsumos. Já no IRDeR, em Augusto Pestana, serão instalados sistemas voltados à pesquisa em produção sustentável.

Outras unidades comunitárias também serão implantadas em Campinas das Missões, Liberato Salzano e Agudo, permitindo que grupos de agricultores produzam bioinsumos para utilização nas próprias propriedades. Um dos diferenciais do projeto é a implantação das chamadas Unidades Comunitárias de Produção de Bioinsumos. Esses espaços permitirão que grupos de agricultores produzam microrganismos capazes de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a disponibilidade de nutrientes para as plantas e fortalecer a saúde das lavouras.

Os materiais serão destinados exclusivamente aos produtores participantes do projeto, sem finalidade comercial. A proposta é estimular a produção “on farm”, ou seja, dentro da própria propriedade ou em estruturas comunitárias, reduzindo a dependência de produtos industrializados. Além da Unijuí, participam do projeto instituições como Emater, Embrapa Pecuária Sul, Embrapa Clima Temperado, Universidade Federal de Santa Maria, institutos federais e diversas organizações ligadas à Rede Leite.

A Emater será responsável por auxiliar na seleção das famílias participantes e no acompanhamento das ações no campo. Inicialmente, pelo menos 16 propriedades receberão sistemas silvipastoris, que integram árvores e pastagens. O projeto também terá papel importante na formação de novos profissionais. A iniciativa envolve pesquisadores, estudantes de pós-graduação e bolsistas dos cursos de Agronomia e Medicina Veterinária, que atuarão diretamente nas atividades de pesquisa e extensão.

Ao longo dos próximos três anos, a equipe promoverá dias de campo, capacitações e ações de transferência de tecnologia, buscando transformar os resultados da pesquisa em práticas acessíveis aos agricultores familiares. Mais do que desenvolver novas tecnologias, a proposta pretende fazer com que elas cheguem efetivamente às propriedades rurais, contribuindo para uma agricultura mais sustentável, resiliente e economicamente viável para as famílias do campo.

Fonte: RPI
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