Os impactos da transformação digital, o avanço da inteligência artificial e os desafios de sustentabilidade econômica estão entre as principais questões que envolvem o futuro do rádio. O cenário foi debatido durante a International Broadcasting Convention (IBC), realizada de 11 a 14 de setembro em Amsterdã, na Holanda, e destacado pelo presidente da Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (AGERT), Alessandro Heck, um dos diretores da Rádio Progresso.
Considerada uma das principais feiras internacionais de mídia e tecnologia, a IBC reuniu radiodifusores, engenheiros e representantes do setor de diferentes países para discutir as transformações provocadas pelas novas plataformas digitais e as mudanças no comportamento dos consumidores de áudio e informação.
Entre os temas discutidos estiveram o avanço das redes sociais, dos podcasts, dos serviços de streaming e dos assistentes virtuais, além da necessidade de adaptação das emissoras aos novos ambientes de distribuição de conteúdo.
Em entrevista à Rádio Progresso, Alessandro Heck, disse que embora existam diferenças entre os mercados europeu e brasileiro na adoção de tecnologias de transmissão, os desafios enfrentados pelas emissoras são semelhantes.
Na Europa, a digitalização do rádio por meio do sistema DAB é uma das estratégias adotadas pelo setor. No Brasil, a principal transformação em curso envolve a migração das emissoras da faixa AM para a FM.
Para Heck, independentemente da tecnologia utilizada, a qualidade do conteúdo e a sustentabilidade das emissoras permanecem entre os principais desafios da radiodifusão. Explicou que as preocupações com relevância de conteúdo e sustentabilidade econômica são idênticas em qualquer mercado.
Afirmou ainda que a verdadeira concorrência não se dá pela posse de equipamento ou infraestrutura, mas pela qualidade da informação prestada e pelo nível de apuração que chega ao ouvinte.
A partir dos debates realizados no evento, Alessandro destacou algumas frentes consideradas estratégicas para o setor. Entre elas está a valorização do conteúdo e da credibilidade, com o fortalecimento do jornalismo local, da prestação de serviço e da apuração das informações como diferenciais das emissoras diante da multiplicação das plataformas digitais.
Outro aspecto e a infraestrutura compartilhada, citando que o compartilhamento de torres, sistemas de transmissão e outras estruturas pode contribuir para a racionalização dos investimentos e a redução de custos operacionais.
Citou ainda a regulação e novas plataformas, uma vez que o setor também defende o acompanhamento das mudanças regulatórias e tecnológicas para garantir a presença do rádio em ambientes conectados, incluindo veículos, dispositivos móveis e outras plataformas digitais.
A transformação tecnológica também modificou a forma como as emissoras produzem e distribuem conteúdo. Segundo Heck, o rádio esteve entre os primeiros segmentos da comunicação a utilizar a internet para ampliar sua presença, com emissoras criando portais e serviços digitais ainda na década de 1990.
Atualmente, as empresas do setor incorporam ferramentas de inteligência artificial, plataformas de streaming e estratégias de distribuição multiplataforma às rotinas de produção e divulgação de conteúdo.
Apesar da expansão do consumo de áudio pela internet, o rádio convencional mantém características consideradas relevantes pelo setor, principalmente pela capacidade de transmissão em tempo real e pela possibilidade de funcionamento sem conexão com a internet.
O alcance por meio de receptores convencionais também é apontado como estratégico em situações de emergência, especialmente quando há interrupção no fornecimento de energia, nos serviços de telecomunicações ou no acesso à internet.
A delegação brasileira na IBC contou com o apoio da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) e da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET). Cerca de 200 profissionais brasileiros participaram das discussões relacionadas às transformações tecnológicas, operacionais e regulatórias que devem influenciar o setor de radiodifusão nos próximos anos.