Município construiu, ao longo de décadas, uma trajetória de presença no Parlamento gaúcho; resultado das eleições de 2026 interrompe sequência iniciada em 2003
Depois de 24 anos, Ijuí não terá um representantes na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
Em 2002, Gerson Burmann concorreu pela primeira vez a deputado estadual, fez 27.812 votos e ficou como suplente do PDT. Já em 2003, Brumann assumiu uma cadeira porque o deputado eleito Kalil Sehbe foi para a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia, no governo Germano Rigotto. Posteriormente, Burmann deixou de ser apenas suplente em exercício e ficou definitivamente com uma cadeira quando João Luiz Vargas foi indicado para o Tribunal de Contas do Estado.
Em 2006, foi a primeira vez em que Burmann se elegeu diretamente deputado estadual, com 40.050 votos.
Desde então o município conta com Gerson Burmann, do PDT, como deputado estadual. Natural de Ijuí, Burmann foi eleito pela primeira vez em 2006 e, posteriormente, conquistou novos mandatos em 2010, 2014, 2018 e 2022. Ao longo desse período, consolidou uma das mais longas sequências de representação política de Ijuí no Parlamento gaúcho. Os registros eleitorais confirmam cinco eleições consecutivas vencidas por Burmann para deputado estadual, entre 2006 e 2022.
Nas eleições deste domingo, 4 de outubro, entretanto, Burmann recebeu 26.129 votos no RS.
A definição das 55 cadeiras da Assembleia Legislativa depende, porém, da totalização dos votos e da distribuição proporcional das vagas entre os partidos e federações. Por isso, a ausência de um representante de Ijuí deve ser confirmada somente após a conclusão oficial da apuração.
A eventual interrupção da representação em 2026 ganha importância quando analisada dentro da história política de Ijuí.
Nas últimas seis décadas, diferentes lideranças ligadas ao município chegaram à Assembleia Legislativa. Entre os nomes que fazem parte dessa trajetória estão Alberto Hoffmann, Beno Orlando Burmann, Wilson Mânica, Valdir Heck, Gerson Burmann e Ernani Polo.
Alberto Hoffmann já possuía uma trajetória política consolidada antes do início do atual recorte histórico e exerceu mandato estadual na década de 1960.
Beno Orlando Burmann também chegou à Assembleia naquele período. Com forte atuação política em Ijuí, foi vereador e prefeito do município. Seu mandato como deputado estadual foi interrompido em 1964, durante o regime militar.
Nas décadas seguintes, Ijuí voltou a ter representantes com forte identificação política com o município.
Wilson Mânica foi deputado estadual por três legislaturas, entre 1987 e 1998. Antes disso, havia exercido funções no Executivo municipal de Ijuí.
Valdir Heck, também natural de Ijuí, chegou à Assembleia Legislativa em 1995, pelo PDT, depois de ter ocupado cargos no Executivo municipal.
Já nos anos 2000, a representação ganhou continuidade com Gerson Burmann. Ele foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2006, obtendo 40.050 votos no Estado, e passou a exercer mandato a partir de 2007. Depois, foi reeleito em 2010, 2014, 2018 e 2022.
Outro nome ligado à cidade é Ernani Polo, natural de Ijuí, que chegou à Assembleia em 2011 e exerceu quatro mandatos consecutivos. Polo também presidiu o Legislativo gaúcho em 2020.
A partir de 2007, Ijuí passou a contar com uma presença contínua na Assembleia Legislativa por meio de Gerson Burmann.
O parlamentar foi eleito novamente em 2010, com 46.363 votos; em 2014, com 46.173; em 2018, com 35.136; e em 2022, com 27.109 votos.
A sequência fez com que o município tivesse, durante quase duas décadas, uma liderança com mandato estadual e ligação direta com a cidade.
Agora, o resultado das eleições de 2026 pode representar uma mudança nesse cenário.
Na disputa deste domingo, os candidatos a deputado estadual mais votados no município foram:
Os números são referentes à votação em Ijuí e não determinam, isoladamente, quem ocupará uma das 55 cadeiras da Assembleia Legislativa, já que a eleição para deputado estadual ocorre pelo sistema proporcional.
Independentemente do resultado final da eleição, o cenário de 2026 marca uma mudança importante na relação de Ijuí com a Assembleia Legislativa.
O município possui uma história de participação no Parlamento gaúcho que atravessa diferentes períodos políticos, partidos e gerações. De Alberto Hoffmann e Beno Burmann, passando por Wilson Mânica e Valdir Heck, até Gerson Burmann e Ernani Polo, diferentes lideranças com origem ou trajetória política em Ijuí ocuparam cadeiras no Legislativo estadual.
Caso nenhum dos candidatos ligados diretamente ao município seja confirmado entre os eleitos, será a primeira vez em 15 anos que Ijuí iniciará uma legislatura sem um deputado estadual próprio, encerrando uma sequência iniciada em 2007.
A situação também coloca em evidência uma nova realidade para o município: a necessidade de articulação das demandas locais e regionais junto aos parlamentares eleitos por outras cidades e regiões do Estado.
A confirmação desse cenário, no entanto, depende da conclusão oficial da apuração das Eleições 2026.