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Paulo Herrmann fala à Rádio Progresso sobre planos para a Agricultura do RS

3 de novembro de 2026

Em entrevista na Rádio Progresso, Paulo Herrmann apresentou as prioridades e as diretrizes estratégicas que pretende adotar à frente da Secretaria Estadual de Agricultura e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul, a partir de janeiro, no governo do governador eleito Luciano Zucco.

Com uma trajetória consolidada no agronegócio, onde atuou como presidente da John Deere Brasil e participou de diversas iniciativas do setor, Herrmann assume a pasta com o desafio de fortalecer o protagonismo do campo gaúcho e enfrentar problemas históricos da produção rural no Estado.

Um dos principais assuntos abordados na entrevista foi o endividamento dos produtores rurais gaúchos, agravado pelas perdas consecutivas de safras. Herrmann classificou o tema como prioridade para os primeiros 100 dias de governo.

A secretaria deverá atuar em apoio às negociações conduzidas pelo senador Heinze, que assumirá a Secretaria de Gestão de Projetos Estratégicos. A proposta é articular uma ampla mobilização envolvendo a bancada federal gaúcha, o Governo Federal e entidades representativas do setor, como Farsul, Fetag, Ocergs e o sistema cooperativo.

O objetivo é construir alternativas para a repactuação das dívidas e garantir melhores condições financeiras aos produtores. Ao classificar o Rio Grande do Sul como um “laboratório climático” do país, Herrmann destacou a necessidade de preparar o setor agrícola para enfrentar períodos de estiagem e excesso de chuvas.

Com base em dados do programa Terra Forte, da Emater, que apontam que cerca de 87% dos solos agrícolas do Estado apresentam algum grau de degradação física ou compactação superficial, o futuro secretário anunciou a intenção de desenvolver um plano estadual de manejo e descompactação do solo.

Explicou que o solo é, por definição, uma grande caixa d’água, e quando há uma camada compactada a 10 centímetros de profundidade, a chuva não infiltra, o solo escorre, gera assoreamento e as raízes das culturas não conseguem buscar água em profundidade nas estiagens.

A proposta prevê mobilizar o parque industrial de máquinas agrícolas da região Noroeste do Estado para disponibilizar equipamentos de escarificação e subsolagem, melhorando a infiltração da água nas lavouras.

A nova gestão também prevê a integração das estruturas da Agricultura e do Desenvolvimento Rural. Segundo Herrmann, a medida busca reduzir custos administrativos e direcionar mais recursos para as atividades produtivas.

Filho de pequenos agricultores, o futuro secretário também destacou a importância da agricultura familiar. Entre as iniciativas está a criação de uma marca de qualidade e certificação regional, denominada “Feito no Rio Grande”.

A proposta é agregar valor a produtos gaúchos, como arroz, vinhos, espumantes, azeite de oliva, mel e carne bovina do Pampa, ampliando sua presença e reconhecimento nos mercados consumidores.

Sobre a cadeia leiteira, Herrmann apontou a necessidade de fortalecer a industrialização local, especialmente na produção de queijos e derivados, além de incentivar melhorias na nutrição e na genética animal para aumentar a produtividade das propriedades.

Ao tratar da formação da equipe de trabalho, destacou que pretende valorizar os profissionais que já atuam na Secretaria da Agricultura e na Emater, reconhecendo a experiência de agrônomos, veterinários e fiscais de sanidade animal.

A meta, segundo Herrmann, é levar mais eficiência e agilidade à administração pública, aproveitando a experiência da iniciativa privada para acelerar processos e garantir resultados ao setor agropecuário gaúcho.

Fonte: Rádio Progresso
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