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A corrida do saneamento no RS: 6 milhões de pessoas serão beneficiadas com a universalização do serviço até 2033

27 de março de 2026

O Rio Grande do Sul entra em 2026 vivendo um dos maiores programas de expansão da infraestrutura de saneamento já realizados no Estado. A Corsan realizará obras de implantação de 1.741 quilômetros de redes de esgoto, extensão próxima à distância entre Porto Alegre e Salvador, que possibilitará 155.836 novas ligações de esgotamento sanitário.

Com esse avanço, cerca de 955 mil gaúchos passarão a contar com acesso ampliado aos serviços de saneamento. A expansão também evitará que o equivalente a 7,2 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento sejam lançadas na natureza a cada ano.

O ciclo de obras previsto para 2026 vai gerar 7.3 mil empregos, número equivalente a todo o mercado de trabalho de um município do porte de Tapejara.

Esses investimentos fazem parte de um plano estruturante que tem como meta a universalização do saneamento básico no Rio Grande do Sul até 2033, conforme estabelece o Marco Legal do setor, que determina atendimento de 99% da população com água tratada e 90% com coleta e tratamento de esgoto.

Entregas de 2025 já beneficiam mais de um milhão de gaúchos

O avanço previsto para 2026 ocorre após um ciclo significativo de entregas realizado em 2025. No último ano, dos quase R$ 2 bilhões investidos, metade foi destinada à expansão dos sistemas de saneamento.

Foram implantados 545,6 quilômetros de redes de esgoto, distância equivalente ao trajeto entre Porto Alegre e Florianópolis, e realizadas 41.962 novas ligações, número semelhante à população de um município do porte de Panambi.

As obras concluídas ao longo do ano beneficiaram diretamente mais de 1 milhão de pessoas e impedirão que cerca de 2,9 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento sejam despejadas na natureza anualmente. Durante o período de execução dos projetos, também foram gerados 2.5 mil empregos.

Na região Central, a expansão do sistema de esgotamento sanitário foi um dos principais eixos de investimentos, com obras da Corsan em Ijuí e Cruz Alta. Os aportes somaram mais de R$ 30 milhões, com a implantação de aproximadamente 34 quilômetros de redes coletoras de esgoto e a execução de 2,2 mil novas ligações domiciliares, para ampliar a cobertura do serviço nessas cidades. Ijuí, por exemplo, já ultrapassou a marca dos 48% de cobertura de coleta e tratamento de esgoto. Neste ano, mais dois municípios da região já tiveram as obras iniciadas: Panambi e Soledade.

A Corsan tem casos em que os resultados já antecipam metas nacionais. Municípios como Esteio, Pedras Altas e Aceguá já atingiram mais de 90% de coleta e tratamento de esgoto, índice que o país pretende alcançar apenas em 2033.

Um desafio histórico a ser superado

Quando o Grupo Aegea assumiu o controle da Companhia, em julho de 2023, o Rio Grande do Sul apresentava um dos maiores déficits de saneamento do país. Entre os 317 municípios atendidos, 257 tinham cobertura de esgoto igual a zero, enquanto a média estadual de coleta e tratamento atendia apenas 19% da população.

Em pouco mais de dois anos, a cobertura nos municípios atendidos avançou para 29%, beneficiando mais de 850 mil pessoas e acrescentando mais de mil quilômetros de novas redes. O avanço representa cerca de um terço de tudo o que havia sido realizado pela antiga gestão ao longo de quase seis décadas.

Obras que podem gerar transtornos temporários, mas benefícios permanentes

A expansão da infraestrutura de saneamento exige intervenções em cidades já consolidadas. A implantação de redes subterrâneas envolve abertura de vias, bloqueios temporários de trânsito e ajustes na circulação de pedestres e poeira nas localidades.

Esses impactos fazem parte do processo de modernização dos sistemas e são necessários para superar limitações históricas da infraestrutura urbana. Sem esses investimentos, persistem problemas como vazamentos, perdas nos sistemas, interrupções no abastecimento de água e o lançamento de esgoto sem tratamento em rios e córregos.

As frentes de trabalho são planejadas em conjunto com os municípios para reduzir impactos no cotidiano da população. Apesar dos transtornos temporários, a conclusão das obras produz efeitos duradouros para população e meio ambiente.

Municípios com maior cobertura de saneamento registram redução de doenças de veiculação hídrica, melhora nos indicadores de saúde pública, valorização imobiliária e maior atração de investimentos privados.

Impactos que vão além da infraestrutura

O ciclo de investimentos em saneamento também impulsiona a economia. Estimativas do Instituto Trata Brasil apontam que esse movimento pode gerar 47,2 mil empregos por ano no Rio Grande do Sul, sendo 5,3 mil diretos, 31,4 mil indiretos e 10,4 mil induzidos, com efeitos relevantes sobre cadeias produtivas regionais.

Ao mesmo tempo, a ampliação da coleta e do tratamento de esgoto contribui para reduzir o lançamento irregular de resíduos na natureza e diminuir a incidência de doenças relacionadas à água. Em 2024, o Estado registrou 11.713 internações por doenças de veiculação hídrica, indicador que evidencia a relação direta entre saneamento e saúde pública.

Resiliência Hídrica

A agenda de investimentos também inclui ações de resiliência hídrica, especialmente após as enchentes que atingiram o Estado em 2024. Durante o episódio, 906 mil residências ficaram sem abastecimento de água, com impacto em 475 municípios. O objetivo é diminuir as chances de desabastecimento das cidades durante eventos climáticos extremos.

Como resposta, foi estruturado um Plano de Resiliência Hídrica de R$ 1,88 bilhão, que prevê intervenções em 55 municípios, incluindo realocação de estruturas operacionais para áreas seguras, ampliação da reservação, perfuração de poços profundos e interligação entre sistemas.

A primeira etapa prevê cerca de R$ 350 milhões em investimentos, destinados à modernização de captações, adequação de estações de tratamento e formação de estoques estratégicos de equipamentos para emergências.

Infraestrutura estratégica para o desenvolvimento

O conjunto de obras em andamento marca uma mudança estrutural no padrão de saneamento do Rio Grande do Sul. Redes, estações de tratamento, reservatórios e sistemas de bombeamento passam a acompanhar o crescimento urbano e as exigências ambientais do presente.

Até 2033, a projeção é implantar cerca de 18 mil quilômetros de redes de esgoto, extensão equivalente à distância entre Porto Alegre e Tóquio.

Mais do que uma agenda de engenharia, trata-se de uma transformação que conecta saúde pública, preservação ambiental, desenvolvimento econômico e qualidade de vida. Um processo que exige obras e adaptações nas cidades no presente, mas que constrói bases mais seguras e sustentáveis para o futuro do Rio Grande do Sul.

Além dos investimentos em infraestrutura, a expansão do saneamento também depende de responsabilidade compartilhada entre diferentes atores da sociedade. Enquanto o poder público atua na gestão dos resíduos sólidos e na drenagem urbana, a Corsan amplia redes, executa novas obras e opera com eficiência os sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário. A população, por sua vez, tem papel decisivo ao realizar a conexão dos imóveis às redes disponíveis e utilizar corretamente os sistemas. Essa cooperação entre gestão pública, operação técnica e participação dos cidadãos é fundamental para garantir que os benefícios do saneamento se consolidem de forma duradoura nas cidades e no meio ambiente.

Fonte: RPI e Corsan
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