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A guerra da Ucrânia e a posição internacional do Brasil

25 de abril de 2023

Em poucos dias, o presidente Lula conseguiu reafirmar a importância da soberania e da territorialidade da Ucrânia, criticar os Estados Unidos por encorajarem a continuação da guerra na Ucrânia e apelar à formação de um “clube de paz”, constituído por países interessados no fim da guerra, mas sem apresentar passos concretos para chegar à paz.

A mensagem transmitida por Lula não é muito diferente da que foi seguida por Bolsonaro sobre essa matéria, e não serve o melhor interesse do Brasil.

A política externa como análise, e não como um lance de apostas

A política externa de qualquer país (não apenas de uma grande potência como o Brasil, mas de qualquer estado independente de seu tamanho) deve se basear na análise da relação de forças. Não devemos escolher um caminho apostando no que vai acontecer e esperando depois o resultado. Quando eu quero apostar e tentar que a sorte me favoreça, aposto online em Novibet.

O colunista Janan Ganesh, do Financial Times, referiu em seu recente artigo “The false choice of confronting Russia or China”, que os países do Sudeste Asiático, em uma possível luta entre a China e a Rússia, evitarão escolher até o último momento, ou só depois de ser completamente claro “qual será o cavalo mais forte” (“until it is clear which is the stronger horse”). Isso é exatamente o contrário de submeter uma aposta esportiva; é apostar só quando o resultado é conhecido.

O Brasil deve fazer-se respeitar

Ganesh falava dos estados-membros da ASEAN, a organização dos países do Sudeste Asiático, todos eles mais pequenos que a China. Ora, acontece que o Brasil, em política externa, apresenta demasiadas vezes a mentalidade de um país pequeno. Existem vários motivos que podem explicar isso.

  • Será talvez o “complexo do vira-lata” funcionando;
  • No caso da administração Lula, será a eterna análise dos eventos mundiais do ponto de vista do “pobre e pequeno”, do “resistente”, do “guerrilheiro”;
  • Ou até um reflexo herdado da colonização portuguesa, que terá moldado o carácter nacional.

Pouco importa o motivo, porque isso não serve nosso interesse. Não é dessa posição que o Brasil deve partir. A Índia é um melhor exemplo.

O exemplo da Índia

Tal como o Brasil, não tomou propriamente um dos lados nessa questão. Mas a natureza da mensagem diplomática de Nova Déli é completamente diferente. A Índia não está hesitante sobre o rumo a tomar; os indianos conferem seus interesses.

A Índia não revela mudanças de opinião súbitas nem faz apelos à paz inúteis, que não podem funcionar por razões óbvias. A Ucrânia está lutando por seu território e sua existência e só os ucranianos poderão dizer se estarão dispostos a desistir de seu território. A Índia não transmite à Ucrânia, à Europa ou aos Estados Unidos que favorece uma solução em que a Rússia tome território à Ucrânia.

Mas, simultaneamente, os indianos mantêm o diálogo e a amizade com a Rússia, por ser um parceiro de muitas décadas (nomeadamente no fornecimento de material militar). Com isso, a Índia vem conseguindo o respeito de todas as partes, incluindo de seu potencial inimigo mais próximo – a China.

A propósito da China, o Brasil não pode tomar o lado da Rússia seguindo um caminho que nem a própria China segue! A importância do comércio chinês para o Brasil é imensa, claro, e a China segue como um parceiro indispensável para o Brasil. Mas não podemos esquecer que a China só respeita quem se respeita a si mesmo! Não é bom para nós que a China nos veja como uma potência de segunda ordem, ansiosa por vender nossa carne para milhões de chineses a qualquer preço.

A revista Economist dizia, há alguns dias: a política externa de Lula é hiperativa, ambiciosa e ingênua. Esperemos que nossa diplomacia saiba mostrar à pessoa que ocupa o cargo de presidente, agora ou no futuro, a importância de o Brasil seguir exemplos como o que a Índia vem mostrando nessa crise ucraniana.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião/posição da Rádio Progresso de Ijuí.

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