Com 62 anos de atuação, a APMI, sindicato dos professores municipais de Ijuí, reúne atualmente cerca de 740 profissionais da educação em atividade. A informação foi destacada pela presidente da entidade, professora Graciele Fabricio, durante entrevista concedida à Rádio Progresso.
Segundo ela, a rede municipal conta com aproximadamente 1.000 professores, considerando ativos e inativos. Graciele explicou que, diante da ausência de concursos públicos recentes, muitos docentes acabam estendendo o tempo de trabalho, mesmo após atingirem a idade para aposentadoria.
A presidente da APMI observou que alguns professores permanecem na ativa tanto por vantagens financeiras quanto pela necessidade de suprir a falta de profissionais na rede. Conforme a categoria, atualmente há um déficit de cerca de 200 professores no município, situação que vem sendo amenizada por meio de contratos temporários.
Graciele Fabricio informou ainda que, na última sexta-feira, 09, esteve reunida com a administração municipal para tratar desses temas. Ressaltou que a última tentativa de realização de concurso público encontra-se sob análise judicial, e que o sindicato vem dialogando com diferentes instâncias, incluindo os poderes Executivo, Legislativo e o Judiciário.
Para a dirigente sindical, o concurso público é fundamental, pois fortalece o vínculo do servidor com a comunidade e garante mais tranquilidade ao profissional no exercício da função. Ela destacou que, embora o cargo efetivo assegure estabilidade, também exige maior responsabilidade e compromisso.
Outro ponto abordado foi a estrutura da educação infantil no município. Segundo a APMI, Ijuí atende essa etapa da educação quase totalmente com recursos próprios, contando apenas com dois convênios vinculados ao Fundeb.
Além da realização do concurso público, prevista pela administração municipal ainda para este ano, outra demanda central da categoria é a manutenção do Piso Nacional do Magistério. Em 2025, os professores também avançaram no processo de reafirmação do plano de carreira, que vem sendo aprimorado anualmente.
Atualmente, o município paga o piso nacional, fixado em R$ 4.800 para jornadas de 40 horas semanais e R$ 2.400 para 20 horas. Graciele reforçou a importância da qualificação académica dos professores, que possibilita a progressão horizontal na carreira e a garantia desses direitos.
Para 2026, o sindicato espera que, além da realização do concurso, haja avanços relacionados ao Plano Nacional de Educação, que aguarda aprovação e deverá refletir em um plano municipal. Segundo a presidente da APMI, esse processo será fundamental para aprofundar o debate sobre valorização profissional e organização da educação no município.