Implantado em 1995, o curso de Jornalismo da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí) completaria 31 anos de história em 2026. Ao longo desse período, mais de 300 profissionais foram formados e hoje atuam em diferentes veículos e assessorias de comunicação. Apesar da trajetória consolidada, a universidade decidiu suspender temporariamente a oferta do curso em 2025, diante da baixa procura e da inviabilidade econômica. A informação foi confirmada em entrevista nesta manhã pelo reitor da Universidade, professor Dieter Rugard Sidemberg.
Segundo a Reitoria, a densidade de candidatos sempre foi relativamente baixa ao longo das três décadas de funcionamento. No último processo seletivo, apenas quatro alunos ingressaram na graduação. Além disso, a evasão também é considerada uma realidade recorrente. “Oferecer um curso para três ou quatro formandos ao final não viabiliza a sustentabilidade econômica do curso”, destacou o reitor.
A suspensão, conforme a instituição, não significa o encerramento definitivo da graduação. A decisão foi tomada com base na demanda atual, mas a universidade afirma que segue avaliando possibilidades futuras para retomar a oferta.
Entre os fatores apontados para a redução do interesse está a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que em 2009 derrubou a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Para a gestão da universidade, a medida impactou diretamente a procura pelo curso ao longo dos anos.
Para o reitor, a discussão ganha ainda mais relevância diante do papel estratégico do jornalista na formação da opinião pública, função que exige preparo técnico, ética e responsabilidade social. Com a flexibilização da exigência formal, qualquer pessoa pode, em tese, atuar na produção de conteúdo informativo, o que ampliou o debate sobre qualificação profissional.
Outro ponto destacado por Sidemberg é a profunda transformação estrutural pela qual o campo da comunicação passou na última década. Ele citou o avanço das plataformas digitais que modificou radicalmente os modelos de produção, distribuição e consumo de informação, redefinindo os espaços tradicionais de atuação e exigindo novas competências.
Apesar do cenário desafiador, a Reitoria avalia que esse novo contexto também pode abrir oportunidades para profissionais qualificados, especialmente diante da necessidade crescente de credibilidade, curadoria de conteúdo e responsabilidade editorial em meio ao excesso de informações.