Foto: Luana Paola Krebs de Morais Valentina Krebs de Morais é uma ijuiense de 5 anos de idade que há cinco dias busca por uma solução para remover uma pedra colocada no ouvido durante uma brincadeira na escola onde estuda. A família buscou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ijuí na quarta-feira, 25 de março, logo após o fato, desde então ela passou por tentativas de remoção, sem êxito, e segue internada em Porto Alegre.
Valentina reside com a família no bairro Tancredo Neves e estuda em uma escola municipal, em Ijuí. Ela e uma colega brincavam no pátio do educandário quando o fato aconteceu. “A colega convenceu ela a pôr a pedra no ouvido, ela se arrependeu e tentou tirar mas não conseguiu”, explica a tia de Valentina, Luana Paola. A mãe da menina é deficiente auditiva e a tia tem acompanhado a família durante todo o processo para auxiliar na comunicação.
Valentina foi levada inicialmente até a UPA onde foi atendida pelos médicos plantonistas e pela equipe de enfermagem. A tia relata que “o que estava ao alcance deles foi feito”, porém, não foi possível realizar a remoção e a estratégia foi buscar por outras opções.
A Secretaria de Saúde de Ijuí procurou inicialmente o Hospital de Clínicas Ijuí (HCI), que não pode atender por não possuir a especialidade em otorrinolaringologia. A situação foi confirmada pelo hospital em entrevista cedida pelo presidente Dr. Douglas Uggeri, “não conseguimos atender por não termos otorrino, porém, com o hospital da criança será possível criar essa especialidade e atender a estes casos”.
Marco Atkinson, Coordenador da 17ª Coordenadoria Regional de Saúde informou que a coordenadoria recebeu a solicitação na quinta-feira, 26, e buscou atendimento na referência que é o município de Três de Maio. “Os hospitais podem negar o atendimento pois a referência é para cirurgias eletivas e não casos de urgência e emergência e foi o que aconteceu”, explica.
Atkinson disse que a partir das recusas a coordenadoria buscou um atendimento particular através da Clínica Pró Audi, em Ijuí. Segundo a tia de Valentina, a menina permanecia acordada e se mexendo muito pois estava com dor, não sendo possível realizar o atendimento. “A otorrino atendeu a criança para avaliar a situação e encaminhou para a UBS para ser feita a remoção do corpo estranho com sedação em ambiente hospitalar, por questões de segurança e necessidade”, segundo resposta encaminhada pela Pró Audi. O Secretário de Saúde de Ijuí, Márcio Strassburger relatou que foi realizada uma busca por médicos otorrinos da cidade, que não abriram agenda ou não realizavam o procedimento. “Desde o acesso na UPA, diversas medidas foram articuladas em conjunto com a 17ª CRS. O HCI não é referência para otorrino, por isso não aceitou a criança. Uma ambulância da secretaria levou para Panambi, Porto Alegre e a transferência lá na capital também será feita pela ambulância de Ijuí”, explica Strassburger.
O Secretário informa ainda que “a referência nesses casos é Tres de Maio, que não aceitou realizar o procedimento. A Secretaria da Saúde com apoio da 17 ª CRS buscou como alternativa um profissional em Panambi”. Atkinson salienta que o atendimento em Panambi só “foi possível através de uma concessão com a Secretaria de Saúde do município para que o médico fosse atender no hospital local”. Valentina foi levada para Panambi onde foi atendida pelo médico especialista que não conseguiu remover a pedra do ouvido. “Fomos atendidos pelo especialista que realizou a sedação e uma tentativa de remoção, mas como teve sangramento, foi solicitado encaminhamento para outro centro mais equipado”, explica Luana. A orientação foi cadastrar a menina no GERINT (Gerenciamento de Internações), sistema informatizado de regulação de leitos hospitalares usado para gerenciar transferências, fila única de pacientes e leitos em tempo real no SUS.
Após o cadastro, Valentina foi encaminhada para o HPS – Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, onde está internada desde sábado, 28, passou por um procedimento neste domingo, 29, sem êxito, e segue aguardando as próximas orientações. “Durante a madrugada de domingo Valentina passou por procedimento, mas devido o ouvido já estar machucado e com o tímpano perfurado, não foi possível remover a pedra. Estamos aqui esperando, ela só não está agoniada de dor porque tem dormido bastante devido aos remédios”, informa a tia.
A família aguarda a remoção para outra casa de saúde onde tenha material mais avançado para realizar a raspagem no osso, onde a pedra se alojou depois de perfurar todos os tecidos do ouvido. “Depois disso, os médicos precisam reconstruir por dentro, porque machucou os canais e ela corre o risco de perder a audição”, explica a tia. O coordenador da 17ª CRS diz que a Secretária de Saúde do Estado, Arita Bergmann foi acionada, sendo possível a remoção para Porto Alegre. “Hoje mesmo ela será transferida para o Hospital da Criança na Santa Casa, em Porto Alegre, onde passará por uma nova cirurgia para resolver o caso.
Luana teme que outros hospitais não entendam a situação da mãe e não permitam a entrada de duas acompanhantes, e salienta que a família largou tudo em Ijuí para acompanhar a menina durante o processo. Strassburger finalizou dizendo que a Secretaria de Saúde de Ijuí segue acompanhando e prestando todo auxílio e apoio necessário para a resolução do caso.