Imagem de Keith Johnston por Pixabay Não faltam motivos para apontar a Copa São Paulo de Futebol Júnior – atualmente apenas “Copinha” – como a mais tradicional competição de base do Brasil, ou até do futebol mundial.
São mais de 50 edições disputadas, centenas de equipes brigando pelo título ano a ano e muitos craques revelados, como Neymar, Kaká, Raí, Vinícius Júnior, Casemiro, Lucas Moura, Gabriel Jesus, para ficar somente em alguns.
Um aspecto, porém, que nem sempre é mencionado como credencial é a sua imprevisibilidade.
A Copinha, afinal, conta com uma boa dose de surpresas em sua história, entre campeões, finalistas e zebras diversas em suas fases de mata-mata.
Esses times contribuem não só com o “folclore” da competição, como também para torná-la mais atrativa para os espectadores – e torcedores que marcam presença nos estádios espalhados por São Paulo em pleno mês de janeiro.
Para quem curte as probabilidades matemáticas em torno de torneios de futebol, as apostas em campeões improváveis, as chamadas “zebras”, são atraentes nas plataformas legalizadas. Lembre-se: Apostas são atividades com riscos de perdas financeiras.
Criada em 1969, a Copinha tem uma “elite” de campeões.
Corinthians, São Paulo, Fluminense, Internacional e Flamengo, por exemplo, conquistaram 30 das 56 edições disputadas, enquanto Santos, Atlético-MG, Palmeiras, Vasco e Cruzeiro, para completar os tradicionais vencedores no futebol brasileiro profissional, somam outras 11 edições.
Ainda assim, 15 edições vencidas por “zebras” (25%) representam um número bastante alto, maior do que outros torneios tradicionais, como o Brasileirão, a Copa do Brasil ou até a Champions League.
Algumas surpresas ficaram eternizadas na história da Copinha, seja pela campanha, pelos jogadores e, claro, pelo resultado conquistado.
Relembre abaixo algumas histórias curiosas sobre a Copinha
Há fortes argumentos para que o ano de 2001 seja considerado o da maior surpresa da história da Copinha.
Com menos de um ano de criação, o Roma Barueri foi campeão em cima do São Paulo, clube que havia sido campeão no ano anterior e que tinha, além de destaques como Juan e Hugo, um jovem Kaká, reserva da equipe naquela edição.
Mais do que as credenciais da conquista, a maneira como ela foi obtida foi impressionante, primeiro levando um jogo que estava 2 a 0 para o Tricolor ao final do primeiro tempo a uma vitória nos pênaltis após um impressionante 4 a 4 no tempo regulamentar.
Ainda que meses depois fossem descobertos “gatos” (jogadores mais velhos se passando por mais novos) no Roma Barueri, o título foi mantido – e eternizado na história do torneio.
Pouco tempo depois do Roma Barueri, foi a vez do Santo André surpreender um outro gigante paulista.
Em 2003, o Ramalhão bateu o Palmeiras, também nos pênaltis e também após começar a partida perdendo por 2 a 0.
Ainda que já tivesse maior tradição do que o vencedor de 2001 – e no profissional o time seria campeão da Copa do Brasil no ano seguinte –, o Santo André surpreendeu ao vencer a equipe que tinha Vágner Love, Diego Souza e Edmílson, trio que brilharia na campanha daquele mesmo ano de acesso à Série A do Brasileirão.
Se Santo André e Roma Barueri brilharam na Copinha no início do século XXI, uma parte se deve à campanha do Paulista de Jundiaí de 1997.
Na ocasião, chamada de Lousano Paulista, a equipe bateu o Corinthians, que tinha o meio-campista Deco como principal promessa, havia vencido o torneio em 1995 e venceria novamente em 1999.
A conquista também veio nos pênaltis, após o empate em 1 a 1 na prorrogação.
Se Santo André, Roma Barueri e Paulista fizeram história ao surpreenderem gigantes do futebol paulista, América, de Rio Preto, e Comercial, de Ribeirão Preto, seguiram um caminho diferente.
Em 2006, os clubes fizeram a decisão mais surpreendente da história do torneio, vindos de uma semifinal já sem a presença de times tradicionais.
No duelo interiorano, o América levou a melhor, novamente nos pênaltis, após 0 a 0 no tempo regulamentar.
Nem só de campeões se fazem grandes surpresas da Copinha.
Em mais de 50 edições, diversas equipes pequenas fizeram campanhas históricas que não foram consagradas por título.
Em 2023, o São Luiz teve sua melhor campanha da Copinha, na etapa de 16 pontos e 88,8% de aproveitamento, mas não conseguiu vingar na competição.
Mais recentemente, por exemplo, podemos citar o Ibrachina, semifinalista da edição de 2026 após eliminar Atlético-MG, Internacional e Palmeiras, e o Batatais, que em 2017 foi vice-campeão, derrotado pelo Corinthians.