Os professores das escolas estaduais do Rio Grande do Sul deverão receber 32% de reajuste nos salários, se o projeto do governo gaúcho encaminhado ontem à tarde para a Assembleia Legislativa for aprovado pelos deputados estaduais. A proposta garante o pagamento do piso nacional da categoria. O aumento vai passar a valer no próximo mês. Segundo o Executivo estadual, o aumento de salário é para a tabela inteira do subsídio para todos os professores estaduais, sem que haja achatamento da estrutura de classes e níveis.
Porém, não é bem assim que pensa o Cpers/Sindicato, entidade que representa os professores e funcionários de escolas estaduais gaúchas. Durante entrevista hoje pela manhã na RPI, o vice-presidente do Cpers, Alex Saratt, disse que o reajuste não abrange os funcionários de escolas, além de excluir grande parte dos educadores aposentados, visto cálculos de negociação. Saratt considera importante os 32% para garantir o piso nacional dos professores, mas argumenta que as perdas salariais em razão da falta de aumento financeiro nos últimos anos chega a 51%.
Ao contrário do que alega o governo Eduardo Leite, o vice-presidente do Cpers observa que haverá, sim, achatamento de salários, com escalonamento de desigualdades por tempo de carreira. Alex Saratt entende que isso não estimula a carreira do magistério. Também de acordo com o Cpers, o Estado apresentou reajuste de 32% não linear, pois deixa de fora grande parte dos aposentados e ignora funcionários de escola, além de diferenciação do percentual dos professores.
A entidade ainda entende que o aumento do piso vai ser pago com o dinheiro dos próprios educadores e quanto mais antigo e com maior tempo na carreira, menor o reajuste. Números do Cpers indicam que 30.933 professores aposentados não terão nenhum reajuste e 33.820 professores na ativa não receberão o reajuste de 32%.