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Crimes de abigeato têm queda histórica no Estado

11 de julho de 2023

O Rio Grande do Sul apresentou em junho de 2023 o menor registro de ocorrências em toda a série histórica de crimes de abigeato, iniciada em 2010. Na comparação com o mesmo mês de 2022 a queda é de 32,5%, passando de 422 casos para 285. Em relação ao primeiro semestre, houve uma redução de 17,9% nos abigeatos.

O abigeato é o crime de subtrair animais de propriedade privada em zona rural, ou seja, é o roubo de gado bovino, equino ou animais que se encontram em campos, pastos, currais ou retiros. Tal tipo penal é relativamente comum na região Sul do país, tendo em vista que os três estados são relevantes na pecuária nacional e detêm, juntos, mais de 27 milhões de cabeças de gado bovino. Só no Rio Grande do Sul, a atividade agropecuária representa 77% da área total, de acordo com o Censo Agropecuário de 2017.

A melhora significativa da redução desses índices está relacionada à atuação da Operação Agro-Hórus da Brigada Militar, que tem o objetivo de combater os delitos rurais para que não evoluam e venham a prejudicar a economia rural, os produtores e as famílias no campo. Com atuação em 137 municípios e atenção na faixa de fronteira, a patrulha rural atua na prevenção e repressão de ocorrências contra os crimes transfronteiriços.

De acordo com o subcomandante-geral da Brigada Militar, coronel Douglas da Rosa Soares, a investigação da inteligência norteou os diagnósticos e áreas de riscos para coibir a atuação dos indivíduos. “A Operação Agro-Hórus foi desencadeada em 2022 atuando com predominância na fronteira da Argentina e do Uruguai. Com estudos, diagnósticos e o acesso ao banco de dados da Secretaria da Agricultura, conseguimos evidências para coibir estes tipos de crime. Desde então, conseguimos prender 263 foragidos e 85 toneladas de carne. Também recuperamos oito máquinas agrícolas e apreendemos 314 armas”, explica.

No que se refere ao combate ao crime de abigeato, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul é pioneira entre as polícias do país, pois conta com delegacias criadas especialmente para atender a demanda de crimes rurais. As chamadas Delegacias de Polícia Especializadas na Repressão aos Crimes Rurais e de Abigeato (Decrab) foram inauguradas em 2018 e, atualmente, o estado conta com quatro Decrab subordinadas ao Departamento de Polícia do Interior (DPI).  O foco dessas delegacias é o abigeato, mas também são investigados outros crimes, como receptação e furto/roubo de maquinário agrícola.

 As quatro Decrab estão nos municípios de Bagé, Alegrete, Camaquã e Cruz Alta. Essas delegacias atuam em todo o Rio Grande do Sul, sem se limitar às sedes onde estão instaladas, pois, embora os crimes de abigeato sejam mais frequentes no interior, podem se estender para a Região Metropolitana de Porto Alegre.

Segundo o delegado Anderson Spier, diretor do DPI, a Polícia Civil contribui para a redução histórica de 32,5% no crime abigeato por meio das Decrabs, que representam um trabalho especializado no combate ao abigeato. “Os crimes rurais fazem parte de uma cadeia complexa o que exige uma investigação qualificada por parte da Polícia Civil. Os abigeatos envolvem organizações criminosas, por isso, atuamos também para descapitalizar essas quadrilhas, combatendo a lavagem de dinheiro”, conclui.

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