Foto: Unijui Os acontecimentos registrados no último sábado, dia 03, na Venezuela, aparentemente não provocaram grandes alterações no funcionamento do mercado e da economia global. A avaliação é do professor Argemiro Brum, doutor em economia, em entrevista concedida à Rádio Progresso.
Segundo o economista, no primeiro dia útil após os fatos, na segunda-feira, 05, houve uma reação inicial dos mercados, especialmente nas bolsas de valores. No entanto, esse movimento foi pontual e, ao longo dos dias seguintes, o cenário acabou se acomodando. Observou que o mercado absorveu rapidamente a situação e voltou ao padrão que já vinha sendo adotado.
Como exemplo dessa normalização, Argemiro destacou que, na terça-feira, 06, a bolsa de valores brasileira registrou alta, enquanto o dólar apresentou queda, retornando à média de R$ 5,37. Já a bolsa de Chicago, que havia subido no início da semana, encerrou o dia em queda, sinalizando um ajuste natural após as oscilações iniciais.
Outro ponto central analisado pelo economista foi o comportamento do petróleo, considerado um dos elementos chave em relação à Venezuela. De acordo com ele, o preço do barril também recuou e se manteve em torno de 60 dólares no mercado internacional, patamar semelhante ao praticado antes dos eventos recentes. Frisou que isso demonstra que, até o momento, não houve impacto estrutural capaz de desorganizar o mercado.
Argemiro Brum ponderou, entretanto, que podem ocorrer reflexos pontuais em algumas áreas específicas. Um dos exemplos citados foi o comércio de arroz, já que o Brasil é um importante exportador do produto para a Venezuela com destaque para o Rio Grande do Sul, maior produtor nacional. Segundo ele, essas exportações podem enfrentar dificuldades de continuidade no curto prazo, até que a situação interna do país vizinho se reorganize.
O economista também lembrou que o Brasil importa adubos e fertilizantes da Venezuela. Embora esse volume não seja expressivo em termos globais, pode representar um aumento pontual de custos para o agronegócio brasileiro, caso haja interrupções ou encarecimento desses insumos.
Por outro lado, Argemiro reforçou que, até o momento, não há impactos nos derivados de petróleo no Brasil. Disse ainda que os preços seguem estáveis, não havendo motivo para reajustes na gasolina, no diesel ou em outros combustíveis. Ele explicou ainda que, atualmente, o preço da gasolina no Brasil está, em média, 11% acima do valor de referência internacional, enquanto o diesel apresenta uma diferença de cerca de 2% acima.
Diante desse cenário, o economista avaliou que existe, inclusive, um pequeno espaço para redução de preços ao consumidor final, em vez de aumentos, desde que as condições do mercado internacional se mantenham estáveis.