Um homem denunciado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) por torturar e matar a companheira foi condenado pelo Tribunal do Júri em Frederico Westphalen nesta terça-feira, 17 de março, a 99 anos, 5 meses e 19 dias de prisão pelos crimes de tentativa de feminicídio, feminicídio, tortura continuada, fraude processual e desobediência.
A denúncia do MPRS detalhou um histórico de violência extrema contra a mulher, de 35 anos, companheira do réu. No dia 16 de janeiro de 2025, após submeter a vítima a agressões severas durante longo período, o acusado a matou com golpes na cabeça. Segundo a investigação, a vítima foi obrigada a gravar a si mesma sendo agredida e apresentava lesões em diferentes estágios de cicatrização, evidenciando a continuidade das torturas. No dia do crime, o réu arrastou o corpo da vítima até a varanda e tentou simular um atropelamento, caracterizando fraude processual.
O júri também reconheceu que, em dezembro de 2023, ele havia tentado matar a companheira com golpe de arma branca, fato que só não resultou em sua morte devido ao atendimento médico emergencial. Além disso, dois dias após o feminicídio, o réu descumpriu ordem de parada da Brigada Militar e fugiu para uma área de mata, sendo localizado dias depois em Santa Catarina.
Durante o julgamento, o promotor de Justiça Thiago Luís Reinert apresentou as provas colhidas durante a investigação, destacando a extrema violência empregada e o contexto de relacionamento marcado por controle, ameaças e agressões. O Conselho de Sentença reconheceu todas as qualificadoras e circunstâncias apresentadas pelo Ministério Público, incluindo meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e o fato dela ser mãe de dois adolescentes, que ficaram órfãos em razão do crime.
O homem, que está preso desde janeiro de 2025, deverá cumprir o restante da pena (98 anos e 3 meses) em regime fechado.