O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) lançou nesta quinta-feira (12) o projeto institucional “Pedros e Marias: Um olhar para os órfãos do feminicídio”, uma iniciativa voltada ao acolhimento e proteção integral de vítimas indiretas da violência de gênero. O programa reconhece os impactos profundos e intergeracionais sofridos por filhos e familiares dependentes, destacando que, somente nos 13 feminicídios registrados no Estado em 2026, já existem 22 órfãos. Coordenado pelas promotoras Alessandra Moura Bastian da Cunha, Ivana Battaglin e Cristiane Corrales, o projeto foca em oferecer atenção qualificada e sensível a crianças e pessoas vulneráveis que enfrentam rupturas familiares drásticas, muitas vezes causadas pelo próprio pai.
A dimensão do problema é reforçada por dados da Polícia Civil, que apontam que pelo menos 701 pessoas ficaram órfãs no Rio Grande do Sul nos últimos cinco anos em decorrência desses crimes. O atendimento prevê uma estratégia de busca ativa e tratamento especializado, incluindo apoio jurídico e psicossocial, além de encaminhamentos para garantir direitos como a pensão especial prevista em lei.
Com foco em evitar a revitimização institucional, o projeto implementará protocolos de acolhimento humanizado em todo o processo penal. As ações serão centralizadas nas unidades de acolhimento do MPRS em cidades como Porto Alegre, Caxias do Sul, Pelotas, Lajeado, Santo Ângelo, Santa Maria, Uruguaiana e Passo Fundo, reafirmando o compromisso do órgão com a defesa dos direitos humanos e o enfrentamento especializado da violência.