O médico oncologista Fábio Franke, natural de Ijuí, concedeu entrevista à Rádio Progresso e fez um alerta importante sobre o aumento de casos de câncer no Brasil e no mundo. Referência na área, ele é presidente eleito da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, além de diretor do Instituto de Oncologia de Ijuí (IOI) e fundador do Oncosite – Centro de Pesquisa Clínica.
Durante a entrevista, o especialista destacou que os índices da doença vêm crescendo de forma preocupante, reforçando que a prevenção e o diagnóstico precoce são as principais ferramentas para aumentar as chances de cura. Entre os tipos mais incidentes na população brasileira, ele chamou atenção para o câncer de colo do útero e o câncer colorretal, o câncer de intestino.
No caso do câncer de colo do útero, são registrados mais de 19 mil novos casos por ano no Brasil, com cerca de 7.200 mortes anuais entre mulheres. Trata-se do terceiro tipo de câncer mais comum na população feminina e está diretamente relacionado à infecção pelo HPV. Segundo Franke, a vacinação é a principal estratégia para combater a doença. Disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a imunização é indicada para meninas e meninos entre 9 e 14 anos, já que o vírus também pode ser transmitido pelos homens.
O médico foi enfático ao destacar que, com ampla cobertura vacinal, é possível reduzir drasticamente, e até erradicar, esse tipo de câncer ao longo dos anos. Ele também demonstrou preocupação com a disseminação de informações falsas sobre vacinas, reforçando a importância de levar a imunização a sério diante de uma doença que ainda mata milhares de mulheres todos os anos.
Outro ponto de alerta é o crescimento dos casos de câncer colorretal, que afeta tanto homens quanto mulheres. De acordo com o oncologista, são mais de 26 mil novos casos anuais entre homens e cerca de 27 mil entre mulheres no país. Entre os principais fatores de risco estão obesidade, consumo excessivo de carnes vermelhas e alimentos processados, ingestão elevada de bebidas alcoólicas, tabagismo e histórico familiar da doença.
Franke destacou ainda que, após a pandemia, houve aumento significativo de casos em pessoas mais jovens, o que acende um sinal de alerta. A prevenção, segundo ele, passa por mudanças no estilo de vida, como manter o peso adequado, adotar uma alimentação rica em fibras e grãos integrais e praticar atividade física regularmente, mesmo que por apenas 30 minutos diários.
Para o diagnóstico precoce, exames como a colonoscopia e o teste de sangue oculto nas fezes são fundamentais. “Quanto mais cedo identificarmos a doença, maiores são as chances de cura”, reforçou o especialista.