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Patrulha Maria da Penha acompanha 237 medidas protetivas ativas em Ijuí

19 de março de 2026

A Patrulha Maria da Penha da Brigada Militar acompanha atualmente 237 medidas protetivas ativas em Ijuí. A informação foi divulgada em entrevista para Rádio Progresso de Ijuí na manhã desta quinta-feira, 19, pela capitã da Brigada Militar no 29º Batalhão de Polícia Militar (29º BPM), Camila Makcine, que detalhou o funcionamento do serviço e as ações preventivas realizadas pelo efetivo.

Segundo a oficial, a patrulha é composta por duas policiais que atuam com uma viatura exclusiva, realizando em média 20 visitas diárias. As patrulheiras vão até as residências das vítimas para conversar, verificar o cumprimento das medidas judiciais e identificar outras demandas que possam surgir no contexto familiar. “A patrulha não atua somente na fiscalização da medida, mas realiza um atendimento humanizado. É um trabalho preventivo para que a situação não evolua”, afirmou a capitã.

De acordo com Makcine, muitas mulheres atendidas enfrentam dificuldades após o afastamento do agressor, especialmente em casos em que ele era o principal provedor da casa. Por isso, durante as visitas, as policiais também observam necessidades básicas, como alimentação e cuidados com filhos, e encaminham as vítimas para a rede de apoio disponível no município.

A capitã explicou que o atendimento inicial de ocorrências de violência doméstica pode ser feito pelo policiamento ostensivo, enquanto a Patrulha Maria da Penha atua no acompanhamento posterior, após a expedição da medida protetiva ou mesmo em situações em que a vítima ainda não solicitou o recurso judicial.

“O trabalho começa desde casa, na mudança de pensamento, na estrutura do machismo estrutural que está presente na sociedade”, disse. Ela ressaltou que a denúncia é considerada essencial para interromper o ciclo de violência. “A violência física é quase um ponto final. Antes disso, existem sinais de alerta, como o controle do relacionamento ou comportamentos abusivos.”

Conforme a oficial, o aumento nos registros de casos está relacionado também à maior quantidade de denúncias. “A violência sempre existiu, mas hoje está mais evidente porque as mulheres estão denunciando mais”, avaliou.

A Patrulha Maria da Penha em Ijuí atua em parceria com diferentes instituições, como a Delegacia da Mulher, o Conselho Tutelar, o Fórum e outros órgãos municipais e estaduais. Reuniões periódicas são realizadas para alinhar estratégias e planejar ações conjuntas de prevenção e orientação.

Atualmente, apenas mulheres integram a patrulha no município, mas, segundo Makcine, não há impedimento para que policiais homens participem do trabalho, desde que estejam preparados para atuar na área.

Além das visitas e do acompanhamento direto das vítimas, a Brigada Militar também desenvolve campanhas educativas e palestras em escolas e empresas. “O assunto não pode ser restrito às mulheres. Há necessidade de conscientização masculina para romper o ciclo da violência”, destacou.

A capitã reforçou que qualquer pessoa pode denunciar casos de violência doméstica, mesmo quando não é a vítima direta. “Se alguém percebe esse contexto no seu círculo de convivência, pode e deve comunicar a Brigada Militar. A denúncia é um dever de todos”, concluiu.

A corporação também busca melhorias estruturais para qualificar o atendimento, como a implantação de uma sala lilás na unidade e a obtenção de uma nova viatura, por meio de apoio institucional e de representantes políticos.

Fonte: Rádio Progresso de Ijuí
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