Busca rápidaX

MANCHETES

Polícia aponta Alexandra Dougokenski como suspeita de matar ex-marido, mas diz que crime prescreveu

13 de abril de 2023

Dezesseis anos após José Dougokenski, 32, ser encontrado morto dentro de casa, na área rural de Farroupilha, na Serra, nova investigação encontrou indícios de que o agricultor pode ter sido assassinado. Na época, o entendimento foi de que se tratava de um suicídio por enforcamento. No entanto, em dezembro do ano passado, por determinação judicial, após novas evidências apontadas por uma perícia particular, a apuração foi reaberta.

Depoimentos foram ouvidos, além de diligências e perícias realizadas nos últimos meses. Para a Polícia Civil, a principal suspeita do homicídio é Alexandra Salete Dougokenski, 35 anos, a mesma mulher condenada por matar o filho Rafael Mateus Winques, 11, em Planalto, no norte do Estado. No entanto, como ela tinha 19 anos em fevereiro de 2007, quando ocorreu a morte do marido — pai do outro filho dela —, não chegou a ser indiciada no inquérito encaminhado à Justiça nesta quinta-feira (13).

A lei prevê que, para menores de 21 anos, o prazo de prescrição de crimes — que seria de 20 anos se a pena máxima privativa de liberdade prevista para o crime é superior a 12 anos — é reduzido pela metade. Ou seja, neste contexto, o delito teria prescrito 10 anos depois, em fevereiro de 2017.

À frente da investigação, o delegado Éderson Bilhan, de Farroupilha, afirma que se trata de uma apuração complexa, por ser realizada tanto tempo depois do fato. Após ouvir vizinhos, policiais militares, familiares, interrogar a própria Alexandra e analisar novas perícias, o policial concluiu que há evidências de que tenha ocorrido um homicídio.

“Ela só não será indiciada em virtude da prescrição. Apesar de ter prova da materialidade e indícios, não vai ocorrer o indiciamento”, explica o delegado.

Ainda segundo Bilhan, com a constatação da prescrição, o que só aconteceu durante o andamento das novas diligências, a polícia decidiu finalizar as investigações. Em razão disso, não chegou a ser solicitada a reprodução simulada dos fatos, popularmente conhecida como reconstituição.

No relatório encaminhado à Justiça, o delegado afirma que concluiu que a materialidade está evidente e que há indícios de autoria do crime de homicídio, mas que deixou de indiciar Alexandra em razão dos indicativos da prescrição. Agora, cabe ao Ministério Público se manifestar sobre o caso e ao Judiciário determinar o desfecho.

As novas investigações se baseiam em três evidências: testemunhais, periciais e semelhanças entre a morte do agricultor e o assassinato do menino Rafael. O garoto foi encontrado morto em maio de 2020, em Planalto, após a própria Alexandra indicar o local onde estava o corpo do filho, dentro de uma caixa de papelão. Uma corda de varal foi usada para asfixiar o garoto até a morte. Em janeiro deste ano, a mãe foi condenada a 30 anos e dois meses de reclusão e mais seis meses de detenção pelo crime.

Fonte: Gaúcha ZH. Foto: Foto: André Ávila/Agência RBS
error: Conteúdo protegido!