Quem vai conferir os espetáculos natalinos na Praça da República de Ijuí dificilmente não vai sair “premiado” com fezes de pombo. O surto dos animais não é de hoje e incomoda tanto o poder público, que já fez ações de limpeza através de solicitação ao Corpo de Bombeiros e com os demais servidores, quanto a população que frequenta o local.
O biólogo da Secretaria do Meio Ambiente, João Pedro Ghesing, afirma que o grande volume de pombos já havia ocorrido em outros momentos. “Há 10 anos começamos a ter um surto na praça do pombo da espécie Zenaida, que tem como característica ser o pombo de bando”. Para o especialista, há uma sazonalidade, sendo que têm alguns anos que se vê o aumento da população de pontos e esse surto naturalmente some. “Eu imagino que tenha muito a ver com o clima. Em 2011 tivemos uma grande estiagem e agora o período também é assim”, destacou.
Conforme Ghesing, há algumas medidas que alguns municípios tomam. “Alguns usam rojões, mas aqui não é possível porque a legislação não permite. Há efeitos sonoros que são inaudíveis para os humanos e causa efeito em aves que frequentam o meio urbano. Algumas cidades utilizam espantalhos de predadores, como águias, mas os efeitos são paliativos. Funcionam até um certo tempo, porém os animais se habituam. O pombo é muito acostumado com o meio urbano e se acostuma com ruídos e espantalhos”, revelou.
Para o biólogo, há dois fatores que são preponderantes no aumento do número de pombos: um deles é o local para repouso em ninhos ou outro é a oferta de alimentos. “É um animal que pode se alimentar fora da cidade e pernoitar na área urbana. Então ele não possui esse comportamento territorialista. Como medida a ser tomada, temos substituído algumas árvores da praça, principalmente aquelas que têm uma copa mais densa. Eliminamos as canelas e os ficus e fizemos o raleio dos taquarais”.
Quanto aos problemas com a saúde, existem algumas doenças relacionadas às fezes do pombo. São doenças fúngicas que ocasionam problemas na pele ou doença pulmonar. “Isso só ocorre quando há acumulo de fezes temporário. Se é feita a limpeza não temos esse inconveniente porque não dá o tempo para o fungo se proliferar”, constatou.
Uma das formas mais eficazes de reduzir o número de pombos é diminuir a oferta de alimentos. “Há muito alimento descartado de forma irregular”, concluiu Ghesing.