A morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em ataques militares coordenados pelos Estados Unidos e por Israel, abriu um novo capítulo de tensão no Oriente Médio e já provoca reflexos nos mercados internacionais. O assunto foi tema de entrevista na Rádio Progresso com o economista e especialista em economia internacional, Francisco Dal Ri.
Segundo ele, o impacto imediato é a geração de um vácuo de poder e um cenário de forte incerteza geopolítica. “Quando se retira uma liderança central de um país estratégico como o Irã, cria-se uma instabilidade que afeta diretamente as relações internacionais e o funcionamento da economia global”, explicou.
Dal Ri destacou que o Irã é peça-chave na geopolítica mundial, com forte alinhamento a potências como China e Rússia. A escalada do conflito atinge uma região responsável por cerca de 20% da produção mundial de petróleo. Com a instabilidade e restrições no fornecimento, o mercado reage com alta nos preços da commodity, o que desencadeia um efeito em cadeia na economia global.
E, conforme o economista, o Brasil não fica de fora desse impacto. O aumento do petróleo pressiona os combustíveis, encarece o transporte e eleva os custos de produção em diversos setores. “Por incrível que pareça, nós vamos sentir isso até no preço do pãozinho da padaria”, afirmou. Isso acontece porque o trigo depende de transporte, energia e logística, todos afetados pela alta do petróleo, segundo o economista.
Além disso, a instabilidade internacional pode provocar volatilidade no dólar, pressionando a inflação e dificultando o controle dos juros no Brasil. O reflexo chega ao consumidor final, impactando alimentos, produtos industrializados e serviços.
Para Dal Ri, mesmo um acontecimento aparentemente distante da realidade local tem efeitos diretos na economia do país, da região e também de municípios como Ijuí. “A economia é globalizada. Um conflito no Oriente Médio não fica restrito àquela região. Ele repercute nas bolsas de valores, no câmbio, nos combustíveis e, consequentemente, no dia a dia da população”, concluiu.
A entrevista reforça que, em um mundo interligado, decisões e conflitos internacionais atravessam fronteiras e chegam rapidamente ao bolso do cidadão. Confira abaixo a entrevista completa: