O presidente da União das Etnias de Ijuí, UETI, Jonas Sala, afirmou em entrevista à Rádio Progresso que a entidade recebeu com preocupação a informação sobre a criação de uma nova associação destinada a gerir os eventos do Parque de Exposições Wanderley Burmann, em Ijuí.
Segundo Sala, o movimento étnico no município possui uma trajetória consolidada ao longo de mais de 40 anos, sendo que a entidade participa há cerca de três décadas, desde a sua fundação. Ele destacou que existe uma forte tradição envolvendo as etnias, que se tornaram marca registrada das principais exposições realizadas na cidade.
O dirigente lamentou que a entidade não tenha sido convidada a participar da construção inicial do projeto. Conforme relatou, o contato ocorreu apenas após a proposta já estar estruturada, quando a UETI recebeu um estatuto e um projeto para análise e emissão de parecer. A documentação, segundo ele, foi encaminhada via WhatsApp pelo comitê responsável pela organização da Expofest Ijuí 2026.
Jonas Sala explicou que o material foi repassado aos presidentes das casas étnicas, que demonstraram surpresa diante da proposta. Após reuniões e discussões internas, a maioria das representações entendeu que o modelo sugerido para a criação da nova associação é equivocado e pode trazer prejuízos aos centros culturais étnicos atualmente em funcionamento.
Na sua avaliação, o modelo de gestão proposto interfere diretamente no trabalho que já vem sendo desenvolvido no parque. Ele reforçou que o espaço não deve ser visto como uma despesa, mas sim como um investimento estratégico, considerando sua importância cultural, social e econômica para o município.
Sala também defendeu a necessidade de maior aporte de recursos por parte do poder público municipal no Parque Wanderley Burmann, ressaltando que o local é patrimônio do município. Segundo ele, os valores atualmente previstos no orçamento são destinados basicamente à manutenção, sem contemplar melhorias estruturais.
O dirigente lembrou que importantes estruturas, como o Palco das Etnias, a Praça das Nações e as casas étnicas, foram construídas a partir da atuação da UETI, o que reforça, segundo ele, a necessidade de reconhecimento e investimento contínuo por parte do Executivo.
Ao citar experiências de outros municípios, Sala mencionou o caso da feira Fenasoja, realizada em Santa Rosa, onde houve investimento público significativo na infraestrutura do parque de exposições. Em comparação, ele considera que os recursos aplicados em Ijuí ainda estão abaixo do necessário.
Atualmente, conforme destacou, o município dispõe de cerca de R$ 1 milhão por ano para a manutenção do parque, mas não há previsão de investimentos mais robustos em obras estruturais. Para ele, esses aportes devem ser viabilizados por meio de projetos organizados pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.
Por fim, Jonas Sala relembrou que, após a Associação Comercial e Industrial, ACI, deixar de realizar a feira, a UETI assumiu a responsabilidade pela organização da Expofest, utilizando seu próprio CNPJ. Ele afirmou que a entidade segue trabalhando para qualificar cada vez mais o evento, com a elaboração de projetos e a busca de recursos por meio de leis de incentivo à cultura.