A Unijuí, a partir dos avanços do uso da Inteligência Artificial, elaborou um documento que apresenta os referenciais para a utilização dessas ferramentas no âmbito institucional. Chamado de “Referenciais para o Uso da Inteligência Artificial no Ensino, Pesquisa e Extensão na Unijuí”, o documento tem o propósito de estabelecer orientações e referências institucionais para o uso responsável, ético, crítico e pedagógico da IA.
O documento é destinado aos educadores, estudantes, pesquisadores e gestores acadêmicos, configurando-se como instrumento de apoio à tomada de decisões e à construção de práticas alinhadas à missão da Universidade. Ele foi elaborado a partir de uma demanda identificada pelos docentes da instituição, relacionada à necessidade de orientar o planejamento pedagógico e as práticas de sala de aula diante da ampliação do uso de ferramentas de IA.
A partir desta demanda, foi feita uma pesquisa institucional, com a participação de professores e técnicos. Considerando que este tema impactava toda a instituição, buscou-se, com a pesquisa, as percepções quanto ao uso de IAs nos processos de trabalho.
Nesta pesquisa, alguns dados chamaram a atenção: entre os professores participantes, 76,6% já utilizavam a IA para planejamento de aulas, e 71% já a tinham usado em sala de aula como parte da metodologia. Ao mesmo tempo, 86,3% dos docentes expressaram preocupação de que o uso da IA pelos estudantes pudesse prejudicar o aprendizado, destacando plágio e dependência tecnológica como principais riscos, além da necessidade de habilidades éticas e de pesquisa para seu uso adequado.
A elaboração do documento teve papel fundamental do Núcleo de Apoio Pedagógico e Experiência de Educadores (NAPEE), que ofereceu suporte técnico-pedagógico aos docentes na consolidação das propostas, sistematizando contribuições, articulando referenciais teóricos e garantindo a coerência com as políticas institucionais. Também foi instituído um grupo de trabalho docente responsável pela elaboração do documento, a partir de estrutura previamente validada coletivamente.
Conforme o reitor, professor Dieter Rugard Siedenberg, as Inteligências Artificiais vão impactar diversos setores, mas o ensino superior mais ainda. “Aqui é onde lidamos com produção de conhecimento e a IA vem para contribuir, mas apresenta oportunidades e riscos, por isso temos que analisar os critérios étnicos e tudo que se faz, pois impacta no fazer da Universidade, na produção do conhecimento e na sistematização deste conhecimento”, ressalta
A vice-reitora de Graduação, professora Bruna Comparsi, comenta que foram implementadas estratégias para que os professores se adequassem a essa realidade. “Nossa preocupação foi sempre incorporar uma inovação, mas com ética, crítica e intencionalidade pedagógica. O documento foi organizado com a formação e experiência dos professores. Ele está pautado na nossa realidade, trazendo referenciais que vão nortear o nosso 2026, com a proposta de fazermos mais formações e trazer impacto para todos os professores e equipe técnica”, declara.
Já o vice-reitor de Administração, professor Edson Padoin, detalha que a tendência é que a IA seja ainda mais utilizada, por isso são importantes as formações para que todos os docentes e técnicos possam conhecer as plataformas. “É preciso saber como usar isso para melhorar o nosso fazer. Por mais que as pessoas tenham receio, é necessário entender que esta é uma nova tecnologia e temos que olhar para o horizonte, onde será possível criar agentes que possam nos auxiliar a criar rotinas que ajudem nas atividades do dia a dia”, relata.
Vice-reitor de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão, professor Daniel Knebel Baggio argumenta que a pesquisa é uma das principais áreas a serem impactadas, pois enquanto vem para facilitar, é preciso, também, ter cuidados. “Quem não usa essas ferramentas, tem um trabalho mais árduo, como existia anteriormente. Contudo, não podemos trazer as IAs como nossa análise, temos que coletar os dados a partir dela e fazermos a análise desses dados. A IA vem para facilitar e para utilizarmos sim, mas com cuidados e atenção”, detalha.
Desta forma, o documento não se limita a oferecer orientações operacionais sobre o uso da IA. Ele estrutura um posicionamento institucional que articula inovação, responsabilidade acadêmica, integridade científica e compromisso social, reafirmando o papel da Unijuí como universidade comprometida com a formação humana integral e com o desenvolvimento regional.
A construção representa a pluralidade e a maturidade da comunidade acadêmica, demonstrando que a incorporação da IA não é um movimento isolado, mas parte de um processo institucional planejado, avaliado e continuamente aprimorado.