A morte de Jussara Scartão Fagundes Muller, de 53 anos, confirmada nesta quinta-feira, 2, em Ijuí, e que tem como principal linha de investigação feminicídio pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) ijuiense, reascendeu o debate da questão da violência doméstica na cidade e região.
Conforme a coordenadora da Coordenadoria da Mulher de Ijuí, Carla Mussi, em entrevista a RPI, a questão da violência doméstica na cidade não registrou crescimento na pandemia, mas seus reflexos estão sendo sentidos agora, segundo ela.
“Na pandemia nós não tivemos em Ijuí um aumento (de casos de violência doméstica), falando em Coordenadoria da Mulher. Mas, me parece que os reflexos desse isolamento estão surgindo agora. Durante este ano nós percebemos, e um dos nossos programas é exatamente esse, a Sala de Espera no Fórum, onde fizemos palestras e pequenas informações com as mulheres antes das audiências, nesse local registramos aumento de procura pelas mulheres e o pior, a gravidade do que vem acontecendo está maior. Já percebemos isso e já conversamos com toda a rede de proteção à mulher. Os relatos que nós temos recebido nas audiências é de um progresso na agressividade. Porque antes a gente recebia relato de xingamentos, agressão verbal e hoje temos agressões físicas, agressões, muitas, bem graves que envolve faca, outras armas, ameaças de morte, entre outras. A gente tem notado esse aumento”, relata Carla.
Apesar dos vários atendimentos que são realizados pela Coordenadoria da Mulher, Carla Mussi detalha que Jussara não era uma das atendidas na rede de proteção à mulher do município.
“Por outro lado nós temos mulheres que denunciam e mulheres que ainda não denunciam. Por exemplo, essa moça que faleceu, não temos na Coordenadoria da Mulher nenhum atendimento dela. Diante disso, percebemos que essa realidade se deve, acredito, que um pouco a cultura e a educação de base”, resume a coordenadora.
O corpo de Jussara foi sepultado nesta quinta-feira, 2, no Cemitério Jardim. A Polícia Civil aguarda o resultado da necropsia para confirmar se o crime trata-se de feminicídio. Em se confirmando o fato, o principal suspeito é o marido de Jussara. A família doou os órgãos da moradora de Ijuí, que teve morte cerebral.