Uma organização evangélica com sede em Águas Claras, no Distrito Federal, ofereceu vacinas Astrazeneca e Johnson (Janssen), por US$ 11 a dose, para municípios brasileiros, entre eles Ijuí. A entrega do “grande lote” seria em até 25 dias. O documento foi enviado pela Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), em março deste ano.
O documento (foto), que a Rádio Progresso teve acesso, foi endereçado ao gabinete coletivo das gurias na câmara de vereadores de Ijuí. Em entrevista nessa sexta-feira (02), Luciana Bohrer e Tarcila Padilha, integrantes do coletivo, explicaram o encaminhamento dado após o recebimento da proposta. “Como o Governo Federal demorava para adquirir doses, nós encaminhamos a carta para o Prefeito, no intuito de ajudar”, disse Luciana.
Em nenhum momento as vereadoras acreditaram se tratar de algum tipo de ‘golpe’. “O fato coincidiu com a determinação do SFT que permitia Estados, Municípios e Conselhos Regionais a adquirirem o imunizante”, pontuou. O coletivo ressalta que em momento algum tentou contato com a Secretaria de Assuntos Humanitários. “fizemos aquilo que compete a nós, encaminhamos o documento ao executivo”, ressaltou.
A Senah foi citada nesta quinta-feira (1º), pelo militar de Minas Gerais Luiz Paulo Dominguetti, que se apresentou como representante da empresa Davati Medical Supply, em depoimento à CPI da Covid. Segundo a “carta humanitária”, assinada pelo presidente da Ong Amilton Gomes de Paula, as vacinas estavam “sob domínio da empresa americana Davati Medial Suplly”.
A reportagem da Rádio Progresso procurou o Prefeito Andrei Cossetin (PP) por meio de sua assessoria. Em nota a prefeitura disse; “Procuramos em todos os documentos recebidos em março e não foi encontrado o que a vereadora disse ter entregue. De qualquer modo, nunca foi sequer cogitado compra de vacina por parte do município que não fosse via consórcio. Não há sequer tratativa, quando menos aquisição”
Procuramos também o Consórcio Intermunicipal de Saúde (CISA) por meio da sua diretora Elizabeth Rolim. Ela disse que estava em Santa Catarina, a trabalho, e não respondeu o questionamento se o órgão também foi procurado pela Senah.
