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Coroinha e cerimonialista divulga nota de esclarecimento

4 de fevereiro de 2022

O coroinha e cerimonialista na diocese de Frederico Westphalen, Lucas Faligurski, divulgou, através de sua assessoria jurídica, uma nota de esclarecimento, no caso envolvendo o Bispo Antônio Carlos Rossi Keller, investigado de cometer abusos sexuais. Confira abaixo a nota:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Eu, Lucas Faligurski, venho pela presente expor meu direito de resposta e expor a verdade, tendo em vista as afirmações que foram veiculadas pelo Sr. Antônio Carlos Rossi Keller em vários meios de comunicação e que atacam diretamente a mim e minha imagem.

Devo expor que as acusações feitas contra mim são totalmente inverídicas, pois jamais caluniei, menti ou fiz denúncias falsas contra Antônio Carlos Rossi Keller, antes pelo contrário, fui vítima de abusos sexuais por ele praticados e por anos me mantive em silêncio até que resolvi expor os fatos e pedir providências, pois não tinha o devido amparo na época do ocorrido e por largo período sofri em silêncio.

Pelos desígnios de Deus pessoas de bem me ouviram e tiveram coragem para me auxiliar, expor minha situação e pedir providências às autoridades.

Importante salientar que minha vida sempre foi muito sofrida e cheia de tragédias, a começar pela perda precoce de minha mãe, que faleceu quando eu tinha apenas cinco aos de idade, o que me causou enorme fragilidade emocional e um grande vazio existencial, principalmente por meu pai ser totalmente ausente e não ter me dado qualquer tipo de auxílio.

Em decorrência destas situações busquei refúgio na Igreja Católica, pois sempre tive devoção e fui lá atuante, tendo buscado na fé a minha redenção e o amparo pelas minhas perdas. Fui coroinha e cerimonialista e atuei por anos na Igreja, tendo atuação devotada e com muita fé, o que me deu pouco de alento em face de minhas perdas irreparáveis.

Contudo, minha vida passou a ser um inferno quando sofri violência sexual praticada por Antônio Carlos Rossi Keller, que usou de minhas fraquezas, de minha inocência, das minhas perdas, minha vulnerabilidade e de seu cargo de bispo para obter a minha inocência e satisfazer seus desejos espúrios. Os fatos ocorreram ainda quando eu detinha 13 anos e se estenderam por meses, pois eu fique refém daquela situação.

A foto acima demonstra como eu era naquela época, apenas um jovem menino sem a mínima noção do perigo que estava correndo e sem uma família para me proteger. Não pude fazer muitas escolhas na minha vida, fui tolhido deste direito pelas atitudes ilícitas e pelos desejos espúrios daquele que me violentou.

A minha escolha, maior ato de coragem que tive, foi dar um basta naquela situação e me afastar, mas isso quase custou minha liberdade e minha vida, pois quando tomei esta atitude de libertação do julgo do meu agressor, ele e seus seguidores tentaram me internar para que eu não falasse nada, mas graças a Deus, a um bom juiz e a um médico comprometido, meu caso foi analisado e uma perícia constatou que tudo que me acusavam não era verdade, de modo que a tentativa violenta de darem um fim em mim não teve sucesso.

Por conta de todos esses atos acabei me afastando da Igreja, perdi minha fé e fiquei à deriva no mundo, pois meu norte ainda era a Igreja, mas lá sofri a maior violência que uma pessoa pode sofrer, embora os fatos tenha sido praticados por pessoas que não representam os princípios da instituição. Todavia, busquei em outra religião minha fé e minha espiritualidade, mas nunca deixei ou deixarei de crer em Deus, que está acima de tudo e de todos.

Dito isso, devo esclarecer que tudo o que falo é a mais profunda verdade e o Ministério Público abriu uma investigação, ouviu muitas pessoas e coletou muitas provas, de modo que o digno promotor entendeu por denunciar meu algoz, pois viu que não sou mentiroso, mas uma vítima. Por anos sofri em silêncio e quando a justiça começou a ser feita e veio a público, passei a sofrer ataques covardes de quem me violentou, pois Antônio Carlos Rossi Keller veio a público com uso dos meios de comunicação que domina e passou a atuar para dilapidar minha imagem como se eu fosse o próprio agressor sexual ou uma pessoa que não merece o mínimo de respeito como ser humano.

Fui e continuo sendo vítima e sei que o comportamento de quem me agrediu é típico de quem comete violência sexual, pois tenta desmerecer a vítima e lhe atacar pessoalmente, o que faz para tentar afastar de si a culpa por seus atos ilícitos e lançar naquele que violentou as máculas dos seus próprios atos e os desvios de seu caráter.

Não posso ficar silente em face de tanta covardia, não posso me calar quando a voz do ímpio derrama aos quatro ventos inverdades sobre mim, tentando fazer crer que a vítima é a vilã, não posso mais tolerar isso. Minha voz vem em parte nessa nota, onde exerço, mesmo que de modo resumido, minha defesa em face das agressões covardes que sofri e estou sofrendo, mas que são usadas pelo meu algoz contra min, pois agora ele vem a público para tentar denegrir a minha imagem e a me reduzir como ser humano.

Portanto, jamais menti ou faltei com a verdade, muito menos fiz falsas acusações, sou uma vítima de atos atrozes que me tiraram muito e me suprimiram escolhas e momentos felizes, mas jamais desisti de mostrar o que sofri e sigo com convicção de que a justiça será feita, pois a verdade é minha guia e Deus nunca me abandonará.

Antônio Carlos afirma que estou mentindo, mas não estou, pois falo a verdade e tudo que digo tenho provas, aliás o próprio Ministério Público conferiu tudo, coletou muitas provas e efetuou a denúncia. Assim, eu desafio Antônio Carlos Rossi Keller a provar que estou mentindo, bem como o desafio a retirar o sigilo do processo, para que todos possam ver as provas e verem o que de fato ocorreu. Não adianta se esconder atrás do segredo de justiça, pois a verdade não pode ser escondida.

Também fui acusado de ter interesses financeiros, mas isso não é verdade, pois vivo dignamente com o fruto do meu trabalho árduo. De outro passo, Antônio Carlos seguramente tem interesse financeiro na Igreja, pois troca de carro quase que anualmente, vive uma vida de luxo em sua residência, paga presentes caros para quem lhe interessa, tem uma vida luxuosa com viagens e regalias, tudo pago com o dinheiro dos fiéis, então isso demonstra que tem interesse financeiro
na Igreja Católica, pois vive uma vida de luxos, vaidades e ostentação às custas da fé alheia. Devo repetir que somente quero a justiça e a reparação do mal que sofri, o que busco defendo a verdade e com confiança na Justiça, que saberá analisar o vasto conjunto de provas que irá garantir um processo justo, onde a os fatos e provas confirmam a verdade.

Fui acusado de ter interesse em afastar católicos da Igreja, mas isso não tem o mínimo fundamento, pois defendo que cada pessoa exercite sua espiritualidade e sua religiosidade de modo independente e de acordo com suas crenças, sem que seja perseguido ou discriminado por suas escolhas. Eu dediquei anos de minha vida à Igreja Católica pois sempre a respeitei, mas algumas pessoas que se dizem pastores não têm respeito pelos seres humanos, de modo que de lá fui obrigado a me retirar em face da violência sexual e dos atentados contra mim praticados. Encontrei amparo em outra religião, que me aceitou e me deu suporte, onde tive acolhimento e onde pude acalmar minha alma atormentada pela violência que sofri.

Quem está afastando os fiéis da Igreja é o próprio Antônio Carlos Rossi Keller, o que fez e continua fazendo com seus atos questionáveis e ilícitos na condução da Diocese e pelo que fez e está fazendo comigo, pois seus ataques a minha pessoa são a prova irrefutável de sua culpa, pois não consegue de forma alguma explicar o que fez e seu silêncio em seu depoimento desmente o que diz na imprensa, mas demonstra que não consegue se defender dentro de um processo justo, onde ele não pode ditar as regras ou usar seu poder para ter benefícios. Quando sofri abuso eu era a criança que está retratada na foto acima, foi essa criança que ele cravou suas garras e ceifou a inocência, mas sobretudo ele usou de minhas vulnerabilidades e carências para satisfazer suas vontades mais obscuras e ilegais, retirando de mim muitas escolhas.

Tudo que passei me ensinou muito, mesmo que com custos muito altos e sob grande violência, mas com minha pouca experiência posso dizer que há pessoas más nesse mundo e que os pais devem cuidar de seus filhos e se houve qualquer boato de abuso na Igreja, que tenham atenção redobrada, pois muitas dessas pessoas más estão disfarçadas de pastores para poderem abusar das ovelhas mais frágeis.

No entanto, há muitas pessoas boas no mundo e é por causa delas que as atrocidades que sofri são amenizadas e consigo viver e fazer o bem para quem precisa, além de acreditar nas pessoas e aguardar serenamente a justiça.

Deixo minha defesa nessas palavras e digo a quem passou pelo que passei: “Denunciem, busquem ajuda, pois mesmo nos momentos mais escuros sempre haverá uma luz que nos guiará, sejam fortes e busquem ajuda”.

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