A falta de policiais civis no Rio Grande do Sul voltou ao centro do debate após questionamentos de candidatos aprovados no último concurso da corporação. O tema foi comentado hoje (13) pelo presidente do Sindicato dos Escrivães e Inspetores da Polícia Civil do Estado, Fábio Nunes Castro, em entrevista à Rádio Progresso.
Segundo ele, a principal preocupação envolve a chamada cláusula de barreira, regra aplicada pela primeira vez no concurso e que limita o número de candidatos que podem avançar para as próximas etapas, como o teste físico.
De acordo com Castro, historicamente todos os aprovados nas provas teóricas eram encaminhados para as etapas seguintes, formando inclusive um cadastro de reserva. Para o sindicato, a nova regra pode ter sido adotada sem estudo ou planejamento adequados, justamente em um momento em que a Polícia Civil enfrenta um grave déficit de efetivo.
Hoje, pela legislação, o Rio Grande do Sul deveria ter 9.587 policiais civis. No entanto, o número atual gira em torno de 5.450 servidores, o que representa um déficit próximo de 50%. A situação se agrava com aposentadorias e exonerações frequentes.
O presidente do sindicato alerta que, se não houver reposição adequada, o cenário pode comprometer o funcionamento da instituição. Em cerca de 75 municípios gaúchos, por exemplo, há delegacias com apenas um policial civil em atividade.
Em Ijuí, a realidade também preocupa. Conforme Castro, a delegacia conta hoje com seis servidores, quando o ideal seria, no mínimo, o dobro desse número para garantir atendimento e investigações de forma adequada.
Diante desse cenário, o sindicato afirma que tem buscado diálogo com o governo do Estado para flexibilizar a cláusula de barreira, permitindo que mais candidatos avancem no concurso e possam reforçar o efetivo da Polícia Civil.
Castro também destacou que o concurso público representa um investimento de cerca de quatro milhões de reais e, da forma como está estruturado, pode não conseguir preencher as 720 vagas previstas.
Por fim, ele disse esperar que a repercussão do tema mobilize lideranças locais. O dirigente defende que autoridades e entidades de Ijuí, como o prefeito, vereadores e a OAB, cobrem do governo estadual medidas concretas para enfrentar a falta de policiais civis no município e em toda a região.
Ouça abaixo parte da entrevista concedida nesta manhã: