O setor supermercadista gaúcho atravessa um período de forte concorrência e pressão sobre as margens de lucro. O cenário está entre os principais assuntos discutidos pela Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) durante a preparação para a Expo Agas 2026. Segundo o gerente executivo da entidade, Francisco Brust, o faturamento do setor neste ano apresenta crescimento principalmente em razão da inflação, e não de um aumento significativo no volume de produtos vendidos.
Ao mesmo tempo, a chegada de novas redes e atacarejos aumenta a disputa pelo consumidor. Para os clientes, a maior concorrência pode representar mais opções e preços competitivos. Para as empresas, porém, significa trabalhar com margens cada vez menores. Outro fator apontado por Francisco, em entrevista à Rádio Progresso, é o endividamento das famílias. A entidade demonstra preocupação com o impacto dos empréstimos consignados e também com o dinheiro destinado a plataformas de apostas.
Brust afirma que aproximadamente 30% dos funcionários do setor possuem algum tipo de crédito consignado. Na avaliação da entidade, o comprometimento da renda reduz o poder de compra das famílias e acaba refletindo diretamente nos supermercados.
O setor é considerado um termômetro do comportamento do consumidor. Quando o orçamento aperta, uma das primeiras mudanças aparece justamente nas compras do supermercado. O consumidor passa a escolher marcas mais baratas, substitui produtos ou deixa de comprar determinados itens.
O cenário coloca os supermercadistas diante do desafio de manter preços competitivos, controlar custos e, ao mesmo tempo, oferecer diferenciais para conquistar e fidelizar clientes.