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157 registros em agosto podem representar apenas 20% dos casos de violência contra a mulher em Ijuí

3 de setembro de 2026

Os 157 boletins de ocorrência registrados em agosto pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Ijuí representam apenas uma parte da violência contra a mulher que acontece no município. Segundo a coordenadora do Centro de Referência da Mulher, Mônica Barboza, esse número pode corresponder a apenas 20% dos casos que realmente acontecem, já que muitas mulheres não chegam a denunciar as agressões. O dado ganha ainda mais peso quando analisado no acumulado do ano. De janeiro até agora, já são 1.186 registros relacionados à violência doméstica em Ijuí.

Em Ijuí, a mulher que decide romper o silêncio pode buscar apoio em diferentes serviços que integram a rede de atendimento e proteção. O primeiro acolhimento pode ocorrer no Centro de Referência da Mulher, que oferece escuta, orientação e acompanhamento às vítimas, além de auxiliar na identificação dos encaminhamentos necessários para cada caso.

A Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher é responsável pelo registro da ocorrência, pela investigação e pela adoção das medidas cabíveis. Em situações de emergência ou risco imediato, a orientação é acionar a Brigada Militar pelo telefone 190. Também é possível buscar orientação e registrar denúncias pelo Ligue 180, canal nacional de atendimento à mulher.

A rede conta ainda com o Poder Judiciário, que analisa pedidos de medidas protetivas de urgência, e com o Ministério Público, responsável por acompanhar os casos e atuar na defesa dos direitos das vítimas. A Defensoria Pública e os serviços de assistência jurídica também podem orientar a mulher sobre seus direitos e sobre os procedimentos legais.

Na área da assistência social, os Centros de Referência de Assistência Social, os CRAS, e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social, o CREAS, podem oferecer acompanhamento social, orientação e encaminhamentos para benefícios e outros serviços públicos. A rede também envolve as unidades de saúde, hospitais e serviços de saúde mental, que podem realizar o atendimento clínico, registrar sinais de violência e encaminhar a vítima para os demais órgãos.

Quando há crianças e adolescentes envolvidos, o Conselho Tutelar também pode ser acionado para garantir a proteção dos menores. Em situações que exigem acolhimento temporário e proteção mais imediata, os serviços de assistência social podem avaliar os encaminhamentos disponíveis, conforme a necessidade de cada família.

O atendimento, portanto, não se limita ao registro de um boletim de ocorrência. A mulher pode encontrar em Ijuí orientação, acolhimento psicológico e social, atendimento de saúde, apoio jurídico, encaminhamento para medidas protetivas e acompanhamento pelos órgãos responsáveis pela investigação e pela garantia de direitos.

Para Mônica Barbosa, o encerramento do Agosto Lilás não representa o fim da mobilização. A campanha termina, mas a violência continua sendo uma realidade que exige atenção durante todo o ano. Por isso, é fundamental que a mulher saiba que não precisa enfrentar a situação sozinha e que pode procurar qualquer um dos serviços da rede para receber orientação e ser encaminhada ao atendimento adequado.

Fonte: RPI
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