CREMERS

Busca rápidaX

MANCHETES

José Luis Blaszak critica condução das eleições de 2026 e defende mudanças no sistema eleitoral

23 de outubro de 2026

O advogado especialista em Direito Público e ex-juiz membro do TRE, José Luis Blaszak fez uma avaliação crítica das eleições de 2026 durante sua participação semanal na Rádio Progresso. Ao analisar o processo eleitoral, ele apontou o que considera falhas no cumprimento da legislação, questionou a atuação de instituições responsáveis pela fiscalização do pleito e defendeu mudanças no sistema político-eleitoral brasileiro.

Blaszak classificou a eleição como uma disputa “para não deixar saudades”. Segundo ele, o processo foi marcado por situações que, em sua avaliação, contribuíram para aumentar a insegurança jurídica e levantar questionamentos sobre a imparcialidade das instituições. Afirmou que o próprio TSE e a Procuradoria-Geral Eleitoral descumpriram a lei de todo modo, o que causa uma tremenda insegurança jurídica nesta eleição.

Ao abordar a condução do processo eleitoral, Blaszak destacou a importância da imparcialidade dos magistrados e dos órgãos responsáveis pela fiscalização e aplicação da legislação. Para ele, a confiança da população nas instituições depende da percepção de que as regras são aplicadas de maneira uniforme, independentemente dos candidatos ou grupos políticos envolvidos.

Na avaliação do ex-juiz, a atuação das instâncias superiores da Justiça Eleitoral teria contribuído para um ambiente de questionamentos sobre a condução do pleito, com reflexos na credibilidade do sistema. Como contraponto, Blaszak mencionou as eleições municipais em Ijuí, destacando positivamente a atuação da juíza eleitoral Simone Brum Pias e do promotor de Justiça Nilton Kasting dos Santos. Segundo ele, a condução dos trabalhos no município foi marcada pelo rigor, pela transparência e pela imparcialidade.

Diante do cenário que descreve como preocupante, Blaszak defendeu uma discussão ampla sobre o funcionamento das instituições e os mecanismos de fiscalização eleitoral. Para o ex-magistrado, o país precisa avaliar mudanças que contribuam para fortalecer a segurança jurídica, a confiança pública e o respeito às regras democráticas.

Na sua avaliação, esse debate não deve ficar restrito ao Congresso Nacional, ao Poder Judiciário e ao Ministério Público. Ele também defende a participação da sociedade civil, das universidades e dos cidadãos na construção de propostas para aperfeiçoar o sistema.

Outra sugestão apresentada pelo advogado é a criação de espaços de diálogo com magistrados aposentados e juristas experientes. A intenção, segundo a proposta, seria aproveitar o conhecimento acumulado por profissionais que atuaram no sistema de Justiça para contribuir com o debate sobre o aprimoramento das instituições.

Durante a entrevista, Blaszak também comentou a repercussão dos debates entre os candidatos à Presidência da República. Na avaliação dele, parte dos confrontos foi marcada por acusações e estratégias de comunicação, enquanto a apresentação de propostas concretas para o país teria ficado em segundo plano.

Chamou atenção ainda, para a abstenção registrada no primeiro turno. O número de eleitores que deixaram de comparecer às urnas, segundo os dados mencionados na entrevista, teria chegado a aproximadamente 33 milhões.

Para Blaszak, a participação dos eleitores será um dos fatores relevantes para o resultado da disputa presidencial. Ele observou que tanto a mobilização dos indecisos quanto a decisão de não comparecer à votação podem influenciar o resultado final.

O advogado também destacou a disponibilidade de recursos digitais, como o aplicativo e-Título, que oferece serviços relacionados à situação eleitoral, incluindo a possibilidade de justificar a ausência nos casos previstos pela legislação.

Ao concluir sua análise, Blaszak reforçou a necessidade de discutir os rumos do sistema político-eleitoral e de recuperar a confiança da população nas instituições democráticas. Na visão do ex-magistrado, o aperfeiçoamento do processo eleitoral exige não apenas mudanças institucionais, mas também maior participação da sociedade no debate sobre a aplicação das leis, a atuação dos órgãos de controle e a qualidade das disputas políticas.

Fonte: Rádio Progresso
erro: Conteúdo protegido!