O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) falou na Rádio Progresso, sobre o cenário político brasileiro após as eleições, a disputa pela presidência do Senado Federal e os desafios econômicos do país. O parlamentar também abordou a atuação da bancada gaúcha na defesa do agronegócio e as negociações relacionadas à dívida do Rio Grande do Sul.
Mourão fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu maior protagonismo do Senado na análise de pedidos de impeachment de ministros da Corte e manifestou preocupação com a política fiscal do governo federal. No âmbito regional, destacou a necessidade de medidas para auxiliar os produtores rurais gaúchos e de investimentos em infraestrutura no Estado.
Ao avaliar o resultado das eleições presidenciais, Hamilton Mourão classificou a disputa como acirrada, destacando a pequena diferença de votos entre os candidatos. O senador também ressaltou o desempenho de Flávio Bolsonaro, que, segundo os números mencionados na entrevista, recebeu cerca de 60 milhões de votos.
Mourão direcionou críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal, especialmente ao ministro Alexandre de Moraes. Na avaliação do parlamentar, as decisões tomadas após o pleito representariam um processo de perseguição política contra integrantes da oposição.
Outro tema abordado foi a sucessão na presidência do Senado Federal. Mourão comentou as articulações partidárias em torno da escolha do próximo presidente da Casa e destacou que, apesar dos acordos firmados entre lideranças, a votação é individual e secreta.
Na entrevista, o senador avaliou que os parlamentares conservadores e de oposição poderiam buscar uma candidatura própria, mencionando nomes como Rogério Marinho e Tereza Cristina.
Mourão também criticou a atuação do Senado nos últimos anos, classificando a postura da instituição como “apagada” e “subserviente” em relação à Câmara dos Deputados e ao Poder Judiciário.
Para o parlamentar, a próxima composição da Casa deverá assumir maior protagonismo institucional, especialmente na análise dos pedidos de impeachment apresentados contra ministros do STF por possíveis crimes de responsabilidade.
Ao analisar as perspectivas econômicas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Hamilton Mourão projetou um cenário de instabilidade e demonstrou preocupação com o crescimento das despesas públicas e a sustentabilidade das contas federais.
Entre os pontos destacados pelo senador estão o aumento da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), a manutenção de juros elevados, as pressões inflacionárias e a expansão dos gastos governamentais.
Também mencionou uma estimativa de aumento das despesas públicas da ordem de R$ 400 bilhões nos próximos anos, questionando a existência de receitas suficientes para sustentar esse crescimento. Na avaliação do senador, o equilíbrio fiscal será um dos principais desafios do governo federal, com possíveis reflexos sobre os juros, os investimentos e o desempenho da economia brasileira.
A situação do agronegócio gaúcho também esteve entre os assuntos da entrevista. Mourão afirmou que a representação do Rio Grande do Sul no Senado deverá atuar de forma articulada em defesa dos produtores rurais e do setor produtivo estadual.
Criticou o que considera falta de avanços nas medidas de apoio aos agricultores afetados pelas perdas acumuladas no Estado. Também mencionou a Medida Provisória nº 1.376 e a tramitação de propostas relacionadas à securitização das dívidas rurais, defendendo maior agilidade na construção de soluções para o setor.
Na avaliação de Mourão, os produtores gaúchos precisam de condições que permitam renegociar seus compromissos financeiros e retomar a capacidade de investimento e produção.
Em relação à dívida do Rio Grande do Sul com a União e ao Programa de Acompanhamento e Transparência Fiscal, o senador destacou a importância das articulações em Brasília para ampliar os benefícios financeiros destinados ao Estado.
Mourão defendeu que os recursos eventualmente liberados ou economizados com a renegociação da dívida sejam direcionados a investimentos em infraestrutura, com o objetivo de atender às necessidades regionais e contribuir para a recuperação econômica gaúcha.