Aeronaves sobrevoam 210 municípios gaúchos em levantamento que vai mapear o relevo e auxiliar na prevenção de desastres
30/10/2026 l 16:31
Gherusa Cassol
30/10/2026 l 16:31
Moradores de diferentes regiões do Rio Grande do Sul podem observar aeronaves voando em baixa altitude e equipes técnicas realizando atividades em campo. A movimentação faz parte de um levantamento topográfico coordenado pelo governo do Estado, por meio da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), que busca ampliar o conhecimento sobre o território gaúcho e fortalecer ações de reconstrução, prevenção de desastres e adaptação às mudanças climáticas.
O trabalho contempla 210 municípios das regiões Oeste, Noroeste e Litoral Norte, abrangendo aproximadamente 107,9 mil quilômetros quadrados. Iniciada em agosto de 2026, a operação tem conclusão prevista para agosto de 2027.
Para realizar o mapeamento, está sendo utilizada a tecnologia Lidar (Light Detection and Ranging), que emprega sensores instalados em aeronaves para emitir pulsos de laser em direção ao solo e coletar informações detalhadas sobre o relevo e as características da superfície terrestre.
A partir dos dados obtidos, serão elaborados o Modelo Digital de Terreno (MDT) e o Modelo Digital de Superfície (MDS), que permitirão uma representação precisa das características do território. Essas informações servirão de base para estudos, modelagens hidrológicas e hidráulicas, planejamento territorial e desenvolvimento de políticas públicas.
Além dos sobrevoos, o levantamento envolve equipes especializadas que realizam medições terrestres e implantam pontos de controle para validar e aprimorar os dados coletados pelas aeronaves.
Os profissionais estão identificados e portam documentação oficial emitida pelo Executivo estadual.
O projeto foi contratado pelo governo do Estado e é executado pelo Consórcio GeoSul, formado pelas empresas Esteio, SAI, Aerocarta, Engemap e Topocart.
A iniciativa foi estruturada após os eventos climáticos extremos registrados em 2024, que provocaram alterações no relevo de diferentes regiões do Rio Grande do Sul. Os dados produzidos deverão contribuir para o planejamento da reconstrução, a organização da ocupação urbana e a elaboração de estudos e simulações de inundações.
A base técnica também poderá apoiar sistemas de monitoramento e alerta, ficando disponível para órgãos públicos, municípios, instituições de pesquisa e estruturas de Defesa Civil.
O levantamento estadual foi planejado para complementar a iniciativa do governo federal. Enquanto a União priorizou áreas mais suscetíveis a enchentes, o Estado atua em outras regiões, com o objetivo de ampliar a cobertura do mapeamento territorial gaúcho. A utilização das mesmas especificações técnicas permitirá integrar as informações produzidas pelos dois levantamentos.
A Sema esclarece que a circulação de aeronaves em baixa altitude e a presença de equipes em diferentes localidades fazem parte da operação técnica. Dúvidas e informações adicionais podem ser encaminhadas pelo e-mail [email protected].
Fonte: Rádio Progresso