Imagem ilustrativa gerada por IA O mês de junho, marcado pela campanha Junho Violeta de conscientização e combate à violência contra a pessoa idosa, traz à tona uma realidade cada vez mais presente em Ijuí: o aumento da demanda por serviços de proteção social voltados à população idosa. Em entrevista ao programa Rádio Ligado, o assistente social Cláudio Everaldo dos Santos, que atua há quase 15 anos na assistência social do município, destacou que o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) recebe frequentemente denúncias relacionadas à violação dos direitos da pessoa idosa.
Segundo ele, ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a violência física não é a forma mais recorrente de agressão. Os casos mais frequentes envolvem violência psicológica, patrimonial e situações de negligência. “A violência psicológica aparece muito quando o idoso é ofendido, desvalorizado ou excluído do convívio familiar. Também são comuns os casos de exploração financeira, quando familiares se apropriam de benefícios, aposentadorias ou até mesmo de bens da pessoa idosa”, explicou.
Outro problema recorrente em Ijuí identificado pelo CREAS é a negligência. Cláudio cita como exemplos situações em que o idoso deixa de receber alimentação adequada, medicamentos ou acompanhamento médico, além de casos extremos de abandono dentro do próprio ambiente familiar.
As denúncias chegam por diversos canais, especialmente pelo Disque 100, serviço nacional de proteção aos direitos humanos. Após o recebimento das informações, equipes formadas por assistentes sociais e psicólogos realizam estudos sociais para compreender a realidade familiar e definir os encaminhamentos mais adequados. O profissional ressalta que as intervenções exigem cautela, já que muitas vezes os próprios idosos defendem familiares envolvidos nas situações de violência. “São relações muito delicadas. Precisamos ouvir todas as partes e avaliar se determinada medida realmente será benéfica para a pessoa idosa”, afirmou.
De acordo com Cláudio, o envelhecimento da população e as transformações nas estruturas familiares têm contribuído para o aumento dos casos de desamparo. Ele observa que as famílias estão menores e que muitos filhos precisam dedicar grande parte do tempo ao trabalho, o que reduz a disponibilidade para prestar os cuidados necessários aos pais idosos.
“Nem sempre se trata de abandono intencional. Muitas vezes as famílias enfrentam dificuldades financeiras ou simplesmente não conseguem conciliar a rotina de trabalho com os cuidados que a pessoa idosa necessita”, explicou.
O assistente social também destaca que parte dos casos de acolhimento envolve idosos que chegaram à velhice sem vínculos familiares sólidos, situação observada principalmente entre pessoas que, ao longo da vida, não mantiveram relações próximas com filhos ou familiares.