Após implantar o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital) na rede municipal de ensino, Ijuí amplia o debate sobre o uso seguro da internet por crianças e adolescentes e passa a fortalecer ações de educação digital dentro das escolas.
Em entrevista, a assessora pedagógica em Tecnologias Educacionais em Rede da Secretaria Municipal de Educação (SMEd), Carolina Brasil Fonseca, explicou como a rede municipal vem acompanhando o avanço das tecnologias no ambiente escolar e os desafios relacionados à segurança digital dos estudantes.
Segundo ela, ainda no ano passado o município atualizou os currículos da rede municipal e tornou obrigatória a educação digital nas escolas, acompanhando um movimento nacional. Carolina destaca, porém, que Ijuí saiu na frente ao aprovar o currículo antes mesmo da consolidação das diretrizes em âmbito nacional.
“Nosso currículo já está aprovado pelo Conselho Nacional de Educação. Vamos trabalhar a cultura digital dentro das escolas, mostrando para as crianças que a internet também tem perigos”, afirmou.
A proposta é que o tema seja trabalhado desde a Educação Infantil, ensinando às crianças noções de responsabilidade e segurança no ambiente virtual. Entre os assuntos abordados estão a necessidade de autorização para compartilhamento de imagens, o cuidado com informações pessoais e os riscos da exposição excessiva nas redes sociais.
Carolina também ressaltou que a participação das famílias é considerada fundamental nesse processo. Segundo ela, os pais precisam acompanhar mais de perto o comportamento dos filhos no ambiente online, dialogando e utilizando ferramentas de supervisão.
“Hoje as crianças estão correndo muitos riscos na internet. Um pai de família não teria coragem de largar uma criança sozinha numa praça pública às duas horas da manhã, mas muitas vezes deixa ela sozinha no celular, sem saber o que está acessando e os riscos que está correndo”, alertou. Conforme a assessora, a internet se tornou um ambiente onde crianças e adolescentes podem ser facilmente expostos a pessoas mal-intencionadas, o que exige maior conscientização tanto das famílias quanto das escolas.
Dentro desse cenário, o Manual do ECA Digital surge como uma ferramenta de orientação para equilibrar o uso pedagógico da tecnologia com a proteção da privacidade e da segurança dos estudantes.
A partir da implantação do manual, as escolas deverão organizar capacitações para professores e equipes pedagógicas, especialmente para orientar o uso das plataformas digitais no ambiente escolar.
Carolina explica que o acesso à internet dentro das escolas deve acontecer com intencionalidade pedagógica e supervisão constante.
“No momento em que um aluno estiver navegando em um computador dentro da escola, precisa existir acompanhamento. Não é apenas disponibilizar acesso, é ensinar como utilizar de forma segura e responsável”, destacou.
Além da supervisão, a proposta também inclui o fortalecimento da chamada cidadania digital, conscientizando crianças e adolescentes sobre responsabilidades, comportamento e convivência nas redes sociais e demais ambientes virtuais.
“O ECA Digital vem justamente para reforçar esse trabalho dentro das escolas, junto das famílias, promovendo proteção, orientação e educação digital”, concluiu.