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Corpo de jornalista ijuiense encontrado em Aracaju é sepultado em Porto Alegre

26 de outubro de 2023
Corpo de Celso Adão Portella, teria aproximadamente 80 anos, foi encontrado dentro de uma mala (Fotos: Reprodução)

Familiares e amigos de Celso Adão Portella participaram na manhã desta quinta-feira (26) da cerimônia de despedida ao jornalista. O velório, que precedeu o sepultamento, ocorreu no Cemitério São Miguel e Almas, na Capital, e foi reservado aos familiares e amigos mais próximos do gaúcho que teve seu corpo encontrado no dia 20 de setembro, escondido no interior de um refrigerador, em Aracaju, capital do Estado de Sergipe.

Na quarta-feira (25) as autoridades de segurança pública do Estado onde Portella residiu seus últimos anos de vida, confirmaram o aguardo pelo resultado das últimas perícias, as quais poderão definir o tempo de intervalo entre a morte e a localização do corpo, e também se a conservação do cadáver, desde 2016, teria ocorrido com suporte de algum método artificial.

Contudo, a perícia mais relevante está sendo finalizada em amostras de tecido conjuntivo, raspa de ossos e resquícios de cabelos. Estes exames irão determinar se houve a indução da morte por intoxicação ou envenenamento, o que caracterizará evidências para a análise de que tenha havido um homicídio.

O diretor do Instituto Médico Legal (IML) de Sergipe, perito Victor Barros, destacou que os laudos são esperados para fundamentar as últimas análises da Polícia Civil. Segundo ele, os resultados devem ser divulgados até a semana que vem.

— Estamos muito comprometidos a prestar estes esclarecimentos aos familiares e também à sociedade em geral, por conta da grande repercussão envolvendo estes fatos — pontuou.

Relembre o caso

  • Na manhã do dia 20 de setembro, uma oficial de Justiça do Estado de Sergipe foi até um apartamento do bairro Suíssa, em Aracaju, para efetuar uma reintegração de posse.
  • A moradora foi abordada verbalmente para apresentação da ordem judicial, mas não abriu a porta ao ser interpelada. Diante do silêncio estabelecido e do choro de uma criança, a polícia militar foi acionada e arrombou a porta do imóvel.
  • Ao ingressarem no ambiente, os agentes públicos depararam-se com a mulher em estado semiconsciente e, ao seu lado, uma menina de 4 anos de idade. A mãe tinha infligido lesões em seus braços, em ato qualificado como tentativa de suicídio.
  • Ela foi socorrida e encaminhada a um hospital, onde foi mantida sob custódia policial até análise do Poder Judiciário sobre o caso. A criança foi resgatada, conduzida para exames clínicos e, posteriormente, deixada aos cuidados da avó materna.
  • Ao vasculharem o imóvel, os policiais constataram uma condição descrita como insalubre, com grande acúmulo de materiais diversos, inclusive resíduos orgânicos. Tal situação levou a Polícia Civil a indiciar a mãe por maus-tratos sobre a criança.
  • Em exame mais detalhado nos objetos mantidos no local, os policiais encontraram a presença incomum de uma mala no interior de uma geladeira. Ao abrirem o utensílio de viagem, surpreenderam-se com os restos mortais de uma pessoa em posição fetal.
  • O corpo foi recolhido, o local foi periciado e a mulher, interrogada. Ela afirmou tratar-se de Celso Adão Portella, com quem diz ter mantido relacionamento afetivo e convivido naquele local por cerca de oito anos. A ex-companheira foi detida preventivamente.
  • Em 28 de setembro, a Secretaria da Segurança Pública do Estado de Sergipe confirmou que os restos mortais eram do gaúcho nascido em Ijuí, que constituiu carreira de jornalista em Porto Alegre, tendo trabalhado como locutor de notícias na Rádio Gaúcha, nos anos 1970.
  • Neste mesmo dia, com base em laudos do Instituto de Análises e Pesquisas Forenses (IAPF), as autoridades sergipanas indicaram que não havia elementos que apontassem para um homicídio. Entretanto, perícias complementares foram solicitadas.
  • Em 3 de outubro, a Polícia Civil indiciou a mulher detida pela ocultação do cadáver. Em audiência de custódia, o Poder Judiciário entendeu que a investigada deveria aguardar pelos encaminhamentos do caso internada numa unidade psiquiátrica.
  • Em novo depoimento, ela reafirmou aos investigadores que não teve interferência sobre a morte de Portella. Disse que saiu para trabalhar pela manhã e, ao retornar ao final da tarde, encontrou o companheiro sem vida, deitado na cama.
  • Ela sustentou que decidiu esconder o corpo por medo das consequências que poderiam decorrer da revelação do óbito, porém não detalhou quais eram objetivamente suas preocupações e seus receios.
  • Diante da inconsistência das informações, a Polícia Civil passou a considerar essenciais os resultados das perícias complementares. Os resultados destes exames serão confrontados com a versão da investigada para definição de eventual indiciamento por homicídio.
Fonte: Rádio Progresso de Ijuí e Gaúcha ZH