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Corretor de cereais de Ijuí alerta sobre contexto nacional e do Mercosul para comodities neste ano

8 de janeiro de 2024
Índio Brasil

Quando se fala em perspectivas de preços para produtos agrícolas é necessário levar em conta algumas variáveis, por exemplo, condições climáticas, economia, câmbio e as safras em andamento em outros países.

Esse foi o tema abordado ontem, às 6 horas e 30 minutos, no programa Progresso Rural da RPI, pelo corretor de cereais, Índio Brasil, da Solo Corretora, empresa de Ijuí. Segundo ele, o panorama das comodities no Brasil, neste ano, apresenta para a soja uma boa condição climática para o Rio Grande do Sul, visto o El Niño, que provoca mais chuva, e realidade mais difícil para a região Centro-Oeste do país, especificamente Mato Grosso, que registra estiagem.

A tendência é que o Brasil produza cerca de 15 milhões de toneladas a menos de soja, o que poderá ajudar em melhoria de preço ao agricultor. Porém, a América Latina deverá registrar de 15 a 17 milhões de toneladas da oleaginosa acima do ano passado, muito por conta da boa safra da Argentina.

Índio Brasil observa que a China está com bom estoque de soja, adquirida dos Estados Unidos. Os chineses são grandes compradores de grãos do Brasil. Ele acredita em manutenção da cotação da soja, se a taxa de câmbio não tiver alteração. No segundo semestre de 2024 vai ser preciso ficar atento à safra americana.

No que se refere ao milho, a atual safra gaúcha tem perdas parciais por conta do alto volume de chuvas. Isso garante preço melhor para o agricultor, pois o mercado local tende a manter os estoques no país. Há possibilidade de acréscimo de cerca de 10% na cotação do milho em relação ao valor atual. No entanto, a partir de março é necessário cuidar a safra argentina.

Referente ao trigo, que no passada teve safra frustrada no Rio Grande do Sul, em razão de excesso de chuva e outros problemas climáticos, o corretor Índio Brasil entende que das cerca de 3 milhões de toneladas colhidas, metade vai ser exportada para o Sudoeste asiático, ou seja, o trigo de qualidade ruim, que vai servir para ração. Já o restante, cereal de melhor qualidade, fica para moinhos do Rio Grande do Sul.

Quem colheu trigo bom, a tendência é de melhoria de preço a partir de abril, quando ocorre redução da oferta da Argentina. Inclusive, recentemente chegaram ao porto de Rio Grande três navios com trigo importado de agricultores argentinos, a fim de abastecer o mercado gaúcho.

No Progresso Rural de ontem pela manhã, Índio Brasil reforçou a importância do cambio e das cadeias globais de comodities para questões de preço e mercado da produção brasileira. O Progresso Rural vai ser reprisado hoje, às 22 horas, no programa Companhia da Noite. O Progresso Rural também está disponível no canal RPICast no Spotfy. Abaixo, confira a entrevista com Índio Brasil.

Fonte: Rádio Progresso de Ijuí