O local onde Njoroge vivia está sobre o Grande Vale do Rifte, uma região de intensa atividade sísmica na fronteira entre a placa tectônica africana com a somali. Em artigo publicado no site Theconversation.com, a pesquisadora Lucia Perez Diaz, da Universidade de Londres, explica que o vale se estende por cerca de 3 mil quilômetros, do Golfo do Áden, ao norte, até o Zimbábue, com uma estrutura geológica única formada por um fenômeno conhecido como rifte continental: o afastamento em direções opostas de duas placas tectônicas.
“As fendas são o estágio inicial da fratura continental e, se bem-sucedida, pode levar à formação de uma nova bacia oceânica”, explicou Lucia. “Um exemplo na Terra de onde este fenômeno aconteceu é o oceano Atlântico Sul, que resultou na separação da África da América do Sul há 138 milhões de anos”.
A estimativa é que a placa tectônica somali esteja se afastando da placa africana a um ritmo aproximado de 25 milímetros por ano. Nesse ritmo, o continente deve se partir em dois daqui a algumas dezenas de milhões de anos, mas isso não quer dizer que suas consequências não possam ser sentidas. A fissura que destruiu a casa de Njoroge surgiu em meados do mês passado, após semanas de fortes chuvas, inundações e tremores de terra. A rachadura com cerca de 15 metros de largura afetou outras residências e interrompeu o trânsito na principal rodovia da cidade.
— Eles construíram a estrada sem saber que existia uma falha geológica, por isso as empreiteiras estão em modo de espera, já que não sabem para onde a fissura seguirá — avaliou o geólogo David Adele, em entrevista à Reuters.